Os arrojos arquitetônicos

Ideia lançada. Um projeto arrojado à margem direita do Rio Camboriú, lado oposto da Via Gastronômica. Edifícios no melhor estilo Dubai. Com requisitos modernos e muito além de qualquer outro por aqui. 

Questões a serem observadas:

a) O local deveria ser servido por casas noturnas (projeto já existente e engavetado), recuperando as perdas havidas quando alteraram o gabarito da Barra Sul e as boates se acabaram;

b) Seria implantado antes ou depois da despoluição do Rio Camboriú, já que o rio é um dos fatores de convivência principal do empreendimento?

c) A sanha de expandir o gabarito incontrolado para outras áreas, onde a preservação da natureza deveria ser prioritária, causa ou não um impacto a ser olhado com muita atenção?

d) A primeira visão continua sendo ampliar projetos de construção civil, por mais moderna e desejada que seja? Ou é melhor acentuar a busca de novas alternativas econômicas, novos alicerces, outros padrões ou, no jargão mais usual, nova matriz econômica?

Exterminar as casas noturnas em troca de mais prédios residenciais foi um tiro no pé. Eliminou-se um dos pilares do turismo de ano inteiro da cidade. Uma das razões de, um dia, termos recebido o epíteto de Ibiza Brasileira. Hoje não mais. Somos, a um só tempo, a Copacabana do Sul, a Dubai Brasileira. Com os alagamentos, até a Veneza Brasileira. Mas precisamos mesmo é caracterizar bem e legitimar o nome, este oficial, de Capital Catarinense do Turismo.

Há quem prefira achar que alargar a faixa de areia muda tudo, como num passe de mágica. E até hoje só mostraram fantásticas projeções gráficas, animações espetaculares, mas ainda não mostraram uma viabilidade comprovada - de como isto implementará desenvolvimento de fato. Com base, com solidez, inquestionavelmente. 

Com todo o respeito.