A isenção de jornalistas, teoria infundada

A tentativa de desqualificar nomes de possíveis candidatos às eleições deste ano supera em muito o trabalho de qualificação de nomes preferenciais de muitos colunistas da área. Os passos insistentes são na direção de denegrir imagens, buscar resíduos do passado e pespegá-los à campanha daqueles que muitos deles consideram inadequados às suas preferências ou tendências. Claro que, por trás, sempre haverá um ou outro tipo de indução, mas isso é do jogo, por todos os tempos dos tempos, amém.

A questão essencial nem reside nisso, porque a ação não tem lado e nem objetivo claro, mais parecendo antipatia pessoal vinda sabe-se lá de onde. A questão essencial é o remontar de acusações, denúncias, deméritos, erros eventuais - com tal requinte, insistência e virulência que chega a ser contraproducente, pois enquanto denigrem uns, em adjetivações e casos repetidos (ou "requentados"), deixam de lado o exaltar das bonomias, simpatias, vantagens e competências dos seus próprios preferidos.

É uma pena que seja assim, pois ao longo do tempo, essas mesmas pessoas preconizam decência nas campanhas, objetividade, escolha correta, conscientização e, no entanto, preferem enxovalhar - com ou sem razão - do que induzir o eleitor a escolher o melhor. Ao invés de fazê-lo pelo exemplo, fazem-no pela exclusão. O método falhou noutras ocasiões - e por isso mesmo a política não se renova, nem em relação aos fatos e nem em relação às teses. Ademais, tanto falam nos seus inimigos de preferência que esquecem de mostrar quem tem lado bom.

Porque, no fundo, ninguém se iluda com a fantasiosa isenção de gente como todos nós, da imprensa analítica, crítica e opinativa. Isto não existe. Temos nossas preferências e não é pecado mostrá-las. Até pelo contrário, ajuda-se, pela concordância ou discordância, a decidir. O que é necessário é não inventar. É ter conteúdo, argumentos, objetividade. Enfim, não mentir e não denegrir.