Alargamento da faixa de areia e os precedentes ambientais

Alegro-me com a alegria alheia. Não posso evitar. Apenas me parece euforia demais e concepções exageradas dispendidas ao longo das perorações e palavrórios ufanistas sobre o alargamento da faixa de areia de Balneário Camboriú. Este filme já passou várias vezes ao longo de muitos governos. O atual está indicar que conseguiu chegar mais longe, embora isso (a licença prévia), me pareça ilusório. Agora, até a imprensa vem manifestando o objetivo de concluir o alargamento da faixa de areia ainda para este ano. Desculpem meus eventuais exageros, mas as dúvidas ainda me assaltam.

Os prazos legais, a conquista e liberação de verbas necessárias, as licenças de instalação e operação, a urbanização da área. Se tudo isso for atingido, e nem importa se neste ano ou depois, restam ainda outros incidentes no tempo: se os cuidados e projetos foram encaminhados como o foram as construções dos locais de venda de churros e milhos - que são mais de centena, quase duas -, à revelia da vontade popular, ou mesmo da repetição dos quiosques cafoníssimos, melhor parar pra pensar e organizar. Embora isso - o pensar e organizar - não seja mérito muito seguido.

Porém, as espécies mais exóticas das justificativas estão nos objetivos enunciados ou nas vantagens alinhadas (reconheça-se, por evidente, que a orla ficaria, se cumpridas todas as premissas, mais agradável e bonita; mas é possível embelezá-la e torná-la mais agradável desde agora, se excluir-se penduricalhos plantados na sua área): atrair mais turistas à cidade, como se todos os excedentes eventuais ao que hoje já temos de frequência ficassem hospedados e consumissem nossos serviços à beira do mar; agregar valor (quais e pra quem?) ao patrimônio privado e público; criar mais espaços de lazer (nada que hoje já não se possa fazer); reduzir ou acabar com impactos da maré, como se fosse possível frear o mar quando se eleva ou se expande (as praias naturais, já o disse aqui, comprovam isto, com suas faixas de areia com mais de 300 metros). 

Enfim, estão enunciando uma obra com aspectos de perfeição impossíveis. 

Ademais e conclusivamente: se a cidade não resolver primeiro suas mazelas ambientais que decorrem da poluição da própria orla, não há faixa de areia alargada que resolva ou reduza isso. Significa dizer que há prioridades mais urgentes a resolver e nem todas são baratas. É só ver o que acontece atualmente com o Rio Marambaia, que é apenas a ponta do iceberg. Na Campanha da Fraternidade de 2017 mostrou-se um quadro trágico dessas  mazelas ambientais da cidade e da região. Infelizmente, o relatório, com mais de 500 páginas, sequer foi lido por alguém com responsabilidade de resolver. A ponto de, no evento realizado em Camboriú com solenidade devida, sequer o prefeito de Balneário Camboriú compareceu, nem o Secretário do Meio Ambiente e só um vereador, Roberto Souza Júnior. Exemplares do relatório foram entregues a cada um deles e reinou silêncio absoluto. 

Sobre saneamento e meio ambiente e a propósito do relatório da Campanha da Fraternidade de 2017, publiquei matéria especial na época (LEIA AQUI)

Ainda publiquei outra matéria correlata e complementar (LEIA AQUI)

Doutra parte, leiam também esta matéria do Página 3, na qual se reconhece que a poluição significa decadência econômica para a cidade. O que reforça o fato de que alargar a areia não resolverá, como forçam dizer. (AQUI)

Fica a indagação: com tudo isso ao nosso redor, alargar a faixa de areia é oportuna antes de enfrentar essas mazelas?