A disputa 2018 mais viável: Eduardo Moreira x Esperidião Amin

Pesquisa realizada no sul do Estado (Criciúma), pelo IPC, instituto da Unesc (universidade do sul, sediada em Criciúma), indica preferência absoluta por Bolsonaro. Os números colocam o candidato de direita 20 pontos acima de Lula (36 x 16). Isto é um indicativo mais importante a partir de uma realidade: Criciúma é o berço do PT em SC. A cidade já teve deputados estaduais e federais (José Paulo Serafim e Milton Mendes de Oliveira) eleitos ao longo deste tempo, já teve uma bancada considerável na Câmara Municipal, já teve prefeito (Décio Góes). Hoje nem elege um vereador. Seus últimos candidatos a prefeito obtiveram votação ridícula.

Para o governo do Estado a disputa, segundo essa pesquisa, é entre Eduardo Moreira (ex-prefeito da cidade e até um bom prefeito), ex-deputado federal, vice governador e governador em dois mandatos - governador por substituição dos titulares renunciantes, um deles o Luiz Henrique e o outro o Raimundo Colombo, exercendo o governo atualmente e Esperidião Amin. O detalhe desta disputa de preferência para o governo reside em um fato exótico: Eduardo é o principal líder político da cidade e perde eleição atrás de eleição para a prefeitura, elegeu em 2014 em todo o sul apenas um nome do PMDB para a Assembleia Legislativa (Ada de Luca, cuja base eleitoral é justamente Criciúma) e recentemente confessou essa sua fragilidade em entrevista à imprensa local: afirmou com todas as letras ter abandonado a região e a cidade com sua presença física e, por isso, admite o desgaste e as derrotas. A disputa com Amin na preferência do eleitorado completa o exotismo: Amin é apenas um nome, embora lá o PP, seu partido, seja forte - mas não possui nada em mãos, nem poder e nem capacidade estrutural para confrontar o governador. Entretanto, a pesquisa mostrou, em cenários diferentes, que Amin e Eduardo se equiparam na preferência do eleitorado. Isso é tanto mais ruim para Eduardo quanto o fato de ser Amin um dos seus algozes políticos mais acendrados. Eles se detestam politica e pessoalmente.

Eduardo é mais viável no MDB? Sem dúvida. Porque ele tem a máquina partidária na mão. O deputado Mauro Mariani, apesar do esforço e dos méritos, dificilmente será o nome escolhido. Moreira não abrirá mão e vai se mobilizar. E dentro do partido é todo-poderoso.

O outro fato é que a pesquisa, talvez intencionalmente e para preservar Eduardo, não avaliou um cenário com ambos incluídos, mas os separou em cenários diferentes - o que indica, antes e acima de tudo, uma falsidade grave de avaliação. Deu a entender que não é conveniente para Eduardo o confronto com Amin. Ninguém duvide que ele, se candidato for à reeleição e é quase certo que será, perca a eleição lá para Amin. O Amin, aliás, é um fenômeno pessoal de carisma eleitoral: muitos o destestam e o combatem com todas as forças e ele resiste. É hoje o deputado federal mais votado do Estado. Só para lembrar: em 2006, quando Pavan disputou como vice na chapa de Luiz Henrique, Amin disputou o governo. Em Balneário Camboriú, núcleo eleitoral principal de Pavan, o Amin venceu a eleição para o governo. E nem precisou de muito: trabalhou para ele o vereador da época Fábio Flôr e ele, se tanto, esteve na cidade umas duas ou três vezes, deu uma passeada pela Avenida Atlântica, entrou em uns botecos, reuniu-se com correligionários e foi embora. Ou seja, é um fenômeno nada desprezível. E se conseguir chegar à candidatura (parece que o próprio PP tenta tirá-lo fora, por achá-lo arrogante - mas a verdade é que ele é maior que o partido e sem ele a legenda não chega ao café da manhã se lançar outro nome).

Outro fato marcante foi na mesma eleição de 2002: num debate, com Amin sozinho, ele destroçou Luiz Henrique e por pouco não venceu a eleição. Foram pouco mais de 170 mil votos de diferença no segundo turno. No primeiro foram cerca de 600 mil votos pró Luiz Henrique.

Se confirmadas as candidaturas de Eduardo e Amin, SC prova que não se renova e ainda depende muito dos velhos para disputas eleitorais.