Parque Inundável: faltou combinar com os russos...

Conversando com os rizicultores do local onde se anunciou o Parque Inundável - instituído por decreto do governo de Camboriú, prestes a ser revogado -, soube-se que os dois prefeitos, de Camboriú e Balneário Camboriú, anunciaram uma obra em terreno alheio sem reunir com os proprietários e ter deles a garantia de negócio. O resultado não poderia ser outro: fizeram uma reunião posterior e dos 70 proprietários presentes, nenhum aceitou vender as terras. A maioria por desejar continuar plantando e colhendo arroz - principal economia de Camboriú - e porque quase todas as áreas são decorrentes de herança familiar de várias gerações, portanto com um valor sentimental muito grande.

O que se discute muito lá é que se quer gerar um dano em Camboriú para privilegiar Balneário Camboriú ou a Emasa.

Sem levar em conta que o Parque Inundável não resolveria volume de adução e nem de tratamento de água, pode-se incluir aí a vontade de um gasto discutível. Pior ainda, sem o mínimo planejamento, a começar pela primária omissão de uma conversa com os donos das terras antes de editar o decreto. 

Até pode haver uma desapropriação, mas a decorrência disso seria uma longa discussão judicial e um mal-estar enorme com os proprietários e, por extensão, da administração de Camboriú. Duvida-se que estejam preparados e queiram se submeter a isso.

O exemplo do famigerado Parque Linear, anunciado como acumulador de água e solução para o abastecimento está lá, pra não não deixar ninguém mentir sobre decisões inúteis. E caras.

Como disse Garrincha, ao ouvir a preleção de Vicente Feola, na Copa do Mundo de 1958, sobre as estratégias de como derrotar os russos: "Já combinaram com eles"?

Neste caso, faltou combinar com os russos...