A despoluição que não é prioridade

Em março de 2017, tão logo o atual governo assumiu em Balneário Camboriú, o jornal Página 3, em matéria assinada pelo jornalista Waldemar Cezar Neto, publicava instigante matéria baseada em reportagem da Folha de São Paulo, apontando a grave situação da cidade no saneamento e na consequente poluição de sua orla.

Pouco mais de um ano passado, a situação continua igual e as soluções, embora arremedos tentados, como no Canal Marambaia – serviço executado à guisa de despoluição, mas que na verdade não é, pois as análises da Fatma apontam, em suas avaliações, índices oscilantes em maior ou menor grau, dependendo das condições de tempo e da maré, chegando, não raro, à contagem máxima de 24.196 coliformes fecais por 100 mililitros no Pontal Norte.

Tudo porque, embora a retirada de resíduos de esgoto do leito do canal, os dejetos continuam sendo despejados, pois inexiste sistema em quase todo o trecho do curso d’água. Sem contar as contribuições de outras regiões, como o Bairro Ariribá. Falou-se em cerca de oito mil pontos de despejo, ainda não eliminados.

A matéria do jornal Página 3 de março de 2017 é contundente. Alguns trechos:

· Os moradores das cidades litorâneas podem colocar as barbas de molho porque tudo indica que a má qualidade da água do mar fará elas perderem - e talvez rapidamente - muito espaço no competitivo mercado turístico nacional.

· A Folha de São Paulo, um dos jornais mais influentes do país mostrou neste verão, numa série de desassombradas reportagens, que três em cada dez praias brasileiras estão contaminadas.

· E se elas estão contaminadas, causam doenças e se causam doenças as pessoas mais esclarecidas e as de maior poder aquisitivo fugirão delas.

· Para Balneário Camboriú, o problema é que várias dessas praias poluídas estão exatamente aqui, portanto estamos no time dos potenciais perdedores.

· Não é sustentável, por exemplo, remover as placas de impróprio para banho achando que isso enganará o turista e beneficiará Balneário Camboriú.

· Não é sustentável fritar churros e descartar o óleo no esgoto da Avenida Atlântica.

· Não é sustentável espalhar lixo pelas ruas porque parte dele sempre vai para o mar.

· Um destino turístico poluído e decadente por causa disso é um atestado de fracasso coletivo da sua população.

A razão de voltarmos ao assunto é, justamente, sobre a afoita vontade de alargar a faixa de areia, ao custo inicial de R$ 200 milhões, quando a prioridade é, sempre e antes, resolver a poluição do mar e da cidade como um todo – coisa que exige esforço e muitos recursos.

Alargar a faixa de areia achando que isto, como diz o prefeito e seus defensores, vai emancipar a cidade economicamente e estimular um turismo diferenciado, maior e melhor, parece ser um ledo engano, pois se os fatores de poluição não forem plenamente resolvidos – e eles são reais e indiscutíveis -, de pouco adiantará. Até pelo contrário, podem mostrar, ainda com mais vigor, que nossas prioridades estão invertidas. E depondo contra a cidade no futuro.

E tudo isso é verdadeiro, até que se desminta formalmente, com dados concretos e que não deixem dúvidas.

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