Prefeitos precisam cuidar do básico e tá bom

Se todos os gestores públicos, basicamente os prefeitos, porque lidam diretamente com as carências populares no dia a dia, apenas alimentassem suas administrações do essencial e mais simples, fariam uma revolução simples. Cuidar dos atendimentos na saúde, na educação, no saneamento, na segurança, na mobilidade urbana, dariam muitas alegrias e seriam motivo de muito apoio. 

Gestores, por imposição política ou econômica, no entanto e no mais das vezes, preferem elucubrar sobre projetos fantásticos, cuja mídia é mais rentável do ponto de vista eleitoral e econômico, sem que, no entanto, isso represente necessariamente um retorno às satisfações primeiras da população.

É só perceber a diferença entre as carências supridas num município menor, onde a arrecadação é irrisória e os demais recursos são poucos, em qualquer dessas áreas (exceção talvez do saneamento), e veremos a razão disso. Qualquer levantamento técnico e estatístico mostrará, por exemplo, que cidades menores são campeãs em qualidade de ensino escolar e em atendimento à saúde. E, via de consequência, de muita satisfação. Dependendo do tipo de cultura local, uns melhores e outros nem tanto. Porém dificilmente se encontrará dentre os melhores nessas áreas, municípios de maior porte, com arrecadação muito maior e disponibilidade tecnológica e humana idem.

Também se verá que há bons salários para médicos e professores em municípios menores - e isto é, também, uma referência do bom ensino e da boa saúde por lá. Por quê? Porque a destinação dos recursos é simétrica, exata. E o controle mais próximo.

É salutar um prefeito assumir e buscar no povo as prioridades. Nunca estarão fora dessas áreas básicas, essas prioridades. Então é fácil atender. 

Pena, no entanto, a complexidade de administrações que ficam buscando projetos megalômanos e estapafúrdios para poder gerar mídia espetaculosa e, assim, estar na ponta de aparições. Adiante, derrotados nas urnas, não entenderão a razão, como se fosse um espanto reconhecer o erro de desprezar o mínimo satisfatório pelo máximo inútil.