Limite de gastos é o bode na sala

Parece ser objetivo do prefeito Fabrício Oliveira, resolver o inchaço da máquina com uma reforma administrativa. Isso deveria ter ocorrido no começo da gestão, como prometido. Se quisesse um princípio de economia, poderia ter evitado muitas nomeações e os atuais questionamentos. A saída é jogar a responsabilidade para os prefeitos anteriores – na atitude mais usada por todos.

Ora, a realidade ruim estava à mostra. Na transição isso deveria ter sido detectado e já ali resolvido. Os prefeitos anteriores, por mais responsabilidades que possuam, não estão no poder. E na campanha, em cima dos palanques, as críticas recaiam justamente em aspectos deste tipo. E, igualmente, as promessas de soluções resplandeciam como luzes feéricas a encantar os eleitores. Fantasia e realidade se desvaneceram quando explodiu a recomendação do TCE de segurar a rédea por causa do limite prudencial de gastos com a folha de pagamento.

Ao lado daqui, em Camboriú, acossado por igual drama, o prefeito Élcio Kuhnen assumiu o ônus de demitir comissionados e deixar os cargos vagos. Até aqui, 30 (ou 10% de todo o quadro da categoria). E há mais na lista.

Lá atrás, ambos, prefeitos de Camboriú e Balneário Camboriú poderiam ter evitado as nomeações, pois os limites orçamentários já estavam a perigo. Preferiram nomear e a conta chegou. E agora precisam atacar em campo aberto.

As despesas de Balneário Camboriú subiram muito com a criação da Guarda Municipal e a gestão municipal do Hospital Ruth Cardoso, sem contar os fatores de elevação automática de remuneração de servidores efetivos – um direito inexpugnável, sem entrar no mérito de sua oportunidade ou não, e a obrigatoriedade do piso salarial dos professores ditado por lei federal. E já tivemos as agregações salariais (depois eliminadas por lei), quando um servidor de menor graduação, ao ocupar por certo tempo um cargo de confiança, adquiria direito à remuneração maior de forma permanente. Há muitos exemplos vivos por aí.

Tudo isso se junta à dança maluca criada dentro do governo, perdido num cipoal de contradições e de encrencas sucessivas na relação com outros setores da administração da cidade. E à complicada engenharia da alta rotatividade dos secretários e principais assessores. Jamais seria compreendida, se contassem lá atrás, a fragilização de Edson Kratz como a eminência parda do governo e as saídas inexplicadas dos secretários da saúde e da fazenda, tidos e havidos, com Kratz, como as “cerejas do bolo” do governo.

Isto, de fato, não parece ter ligação nenhuma sobre as complicações orçamentárias, mas define bem os liames frágeis entre o querer e o fazer, o prometer e o cumprir. Entre essas coisas, há sempre um espaço enorme a ser perseguido. E parece terem percebido isso só agora. Tá na hora de tirar o bode da sala.
 


A Teoria do Bode na Sala

A Teoria do Bode na Sala

A Teoria do Bode na Sala
Muita gente tem me perguntado sobre o que é a teoria do bode na sala. Como esta história é geralmente contada em tom de piada, eu tenho que confessar que fui muito resistente em escrever um artigo a respeito. Porém, após alguma reflexão, comecei a considerar que este tema poderia ser um bom ponto de partida para se gerar uma discussão sobre técnica de venda, negociação, ou se preferir, de manipulação. Então vamos a ela:
Dizem que um pai de família passando por sérias dificuldades, que morava numa casinha muito pequena e com muitos filhos, foi pedir ajuda ao pároco da sua cidade.
Após escutar seu drama, o padre lhe deu um bode com a recomendação de que, durante uma semana, o homem mantivesse o mesmo na sua sala. Após este prazo, o pobre coitado deveria então retornar a igreja.
Passada uma semana, o cidadão retornou.
O padre perguntou: E então? Às coisas melhoraram?
– Não, seu padre. Não melhorou nada… O bode está nos atrapalhando bastante.
– Então, devolva o bode e volte daqui a uma semana. Disse o padre.
O sujeito devolveu o bode e uma semana depois retornou.
Novamente o padre perguntou: E então? Às coisas melhoraram?
– Agora sim, seu padre, a minha vida nunca foi tão maravilhosa. Sem o bode a gente tem espaço na sala e não tem mais aquele mau cheiro.
E lá foi o feliz homem de volta á sua casa, agradecido a deus pela vida que levava.
Não sei determinar qual é a origem desta história. Como toda “sabedoria popular”, a teoria do bode na sala possui muitas variações, e se adapta á vários tipos de problemas. Para dar um ar mais acadêmico, vamos agora reapresenta-la de uma forma mais descritiva, como uma técnica de negociação.

Aplicabilidade:
Quando alguém começar a reclamar sobre um problema que você não tenha como (ou não queira) resolver.

Ação:
Arrume um problema novo, de difícil solução, e o apresente como resposta à reclamação apresentada. Espere um tempo para que o novo problema comece a gerar muito desgaste para o reclamante.