Tirar o Temer e colocar quem?

O movimento dos caminhoneiros já exige a renúncia de Temer. Então não é um movimento apenas reivindicatório, se tornou político.

O jornalista e publicitário Emílio Cerri, de Florianópolis, publicou um artigo, a partir de outra opinião, do também jornalista Cesar Valente, mentalizando uma tese interessante, baseada em fatos da mobilização. Diz assim:


GREVE OU LOCAUTE?

Se um ET chegasse no meio da greve e pedisse "- Leve-me ao seu líder! - a quem seria conduzido? Não se sabe quem lidera o movimento. O confrade Cesar Valente tem razão quando estranha que entidades de classe patronais apoiem a greve. Também existem desconfianças de envolvimento de empresas de transporte rodoviário de cargas, o que caracterizaria "locaute", proibido por lei. Muita coisa tem que ser explicada.

O governador Pinho Moreira declarou que "há algo no ar que não é apenas avião. Esta greve está diferente. Há indiscutivelmente interesse de empresas estimulando, inclusive pagando salário para que motoristas fiquem nas rodovias. Não são autônomos que estão parados. São empregados" - afirmou.

Raul Jungmann, afirmou que o governo apura se houve prática de locaute pelas empresas de transporte durante o movimento dos caminhoneiros pela redução do preço do diesel. "Eu diria que nós temos indícios de que existe uma, digamos assim, uma aliança, um acordo entre os caminhoneiros autônomos e as distribuidoras e transportadoras. Isso é grave porque apresenta indícios de locaute. Evidentemente nós estamos verificando isso porque locaute é ilegal."

O problema não é só o preço do diesel não. Tem mais "côsa"...


Que tem mais coisa, nem há dúvidas. A imprevidência, ingenuidade ou arrogância do governo, especialmente do presidente Temer, levaram a isso. 

E continuamos querendo saber qual o limite: é a renúncia de Temer? Pra colocar quem no lugar? Um interventor, rompendo a ordem constitucional? Há um esquema preparado para isso? Ou o que faria um interventor: reduziria pela metade os preços dos combustíveis? Vão sonhando...

E se os caminhoneiros resolvessem que ele, interventor (ocasionalmente um militar das Forças Armadas), não estaria agradando, fariam um movimento de novo? Pra chegar em que lugar ou a que objetivo? Trocar de novo? E acham que, sendo ele um militar com apoio das Forças Armadas, permitiria? No tempo dos militares (1964/1985) isso que acontece hoje seria impensável. Os piquetes seriam desmanchados a porretadas e sem nenhuma conversa, nem antes, nem durante e nem depois.

Fica difícil acreditar que, de fato, haja só um movimento de caminhoneiros autônomos. Se as grandes empresas de transporte estão apoiando, aí tem...