Os estacionamentos proibidos na Marginal Oeste e as regras autoritárias da Autopista

Nenhuma razão lógica pra vedar os estacionamentos de automóveis nos espaços existentes diante do comércio ao longo da Marginal Oeste, em Balneário Camboriú. Primeiro, há espaço suficiente. Segundo, por isso mesmo, não impede e nem apresenta riscos à passagem e segurança de pedestres. Há espaço suficiente para veículos e pessoas. Terceiro, não há precedentes desses riscos ao longo do tempo.

Trata-se de um perfeccionismo bobo da Autopista, dona absoluta da faixa de domínio da BR-101, adotando medidas danosas aos interesses econômicos, sociais e humanos das cidades lindeiras. E faz isso com muita arrogância e desprezo, pois burocratiza e complica qualquer forma de relacionamento, fazendo questão de demonstrar uma autoridade ditatorial. Parece coisa de guri pequeno: proíbe o que pode permitir e permite o que pode proibir, à sua vontade. A rigor, a Autopista dificulta até a rocação das encostas dos aterros, a recuperação da pavimentação das vias lateriais, exceto com sua ordem expressa e antecipada, ainda que haja necessidade premente. Tudo ante contatos, ofícios, requerimentos, viagens pra lá e pr cá, muitos carimbos e consultas. Pior de tudo é que a PRF, solicitada, passa pelo local várias vezes ao dia, com o intuito único de multar quem esteja estacionado contra a "determinação". Comos e não houvesse coisa melhor para fazer...

Ora proíbe estacionamento, como no caso, sem qualquer justificativa considerável para isso - exceto a que o "espaço é seu" e pronto -; ora tranca acessos vitais para muita gente e até para a circulação mais fácil de veículos entre os dois lados da rodovia. À guisa de reduzir "conflitos de trânsito", mas, ao contrário, criando-os. 

Pior de tudo é que, pelas regras da concessão (e isto precisa ser rediscutido logo), eles podem tudo. Mais do que o presidente da República, mais do que o Congresso, mais do que o Supremo. E então prefeitos, vereadores, deputados estaduais e governadores são fichinha e cartas fora do baralho. 

A isto se soma a inoperância de quem, sabendo do problema há muito tempo (a proibição, até que se adotem medidas de divisão dos espaços com artes urbanísticas) - como no caso dos estacionamentos da Marginal Oeste, fica chupando o dedo e olhando nuvens vadias no céu. Porque, se lhes dê um desconto: a Autopista quer a urbanização dos trechos, para dividir melhor os espaços entre veículos e pessoas, embora isso não a autorize a traumatizar toda uma região para impor seus pontos de vista e suas determinações. Para pressionar quem não faz o solicitado, punem os comerciantes e a economia da cidade.