Seis anos aguardando exame de videolaparoscopia

O Município de Balneário Camboriú tem o prazo de 90 dias para viabilizar o exame de videolaparoscopia a todos pacientes que estão em lista de espera. O prazo foi estabelecido em medida liminar obtida pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em ação civil pública.

A ação foi ajuizada em janeiro de 2018 pela 6ª Promotoria de Justiça da Comarca de Balneário Camboriú. Na ação, o Promotor de Justiça Rosan da Rocha afirma que o acesso à saúde é um direito constitucional que integra a dignidade do ser humano e se afigura como uma das condições indispensáveis à construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

De acordo com o Promotor de Justiça, a ação foi ajuizada após inquérito civil que apurou o caso de uma paciente que aguarda a mais de um ano pela realização do procedimento de videolaparoscopia. Atualmente ela se encontra na posição 17ª da fila de espera.

No curso inquérito, o Ministério Público verificou que outros 17 pacientes também se encontram na mesma situação, com casos de até seis anos de espera. Diante dos fatos apresentados pelo MPSC e da falta de perspectiva para o atendimento, a medida liminar foi deferida pela Vara da Fazenda pública da Comarca de Balneário Camboriú determinando a realização da videolaparoscopia a todos os pacientes da fila de espera em até 90 dias, respeitados os pedidos de urgência, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A decisão é passível de recurso.

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PARA QUE SERVE A VIDEOLAPAROSCOPIA, EXAME QUE CUSTA DE R$ 5 MIL A R$ 15 MIL EM PARTICULAR

A videolaparoscopia serve como exame de diagnóstico ou técnica cirúrgica e é o melhor meio de diagnóstico da endometriose, embora este não seja o primeiro exame realizado, porque é possível saber que é endometriose através de outros exames como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética, que são menos invasivos.

O preço da cirurgia por videolaparoscopia varia de 5 a 15 mil reais dependendo do tipo de exploração diagnóstica ou tratamento que será realizado, mas também pode ser realizada de forma gratuita, pelo SUS.

A videolaparoscopia pode ser indicada para:

VL diagnóstica

  1. Endometriose;
  2. Doença peritoneal;
  3. Tumor abdominal;
  4. Doenças ginecológicas;
  5. Síndrome aderencial;
  6. Dor abdominal crônica sem causa aparente;
  7. Biópsia ovariana;
  8. Gravidez ectópica.

VL cirúrgica

  1. Tratamento de hidrossalpinge;
  2. Retirada de lesões ovarianas;
  3. Retirada de aderências;
  4. Laqueadura das trompas;
  5. Histerectomia total;
  6. Retirada de mioma;
  7. Tatamento de distopias genitais
  8. Retirada do apêndice;
  9. Cirurgia ginecológica.

Como é feita a videolaparoscopia

Para realizar este exame é preciso uma anestesia geral, e o cirurgião realiza um corte no umbigo por onde entra um pequeno tubo que contém gás carbônico e uma microcâmera em seu interior e realiza mais 2 cortes na região abdominal por onde vão entrar outros instrumentos necessários para explorar a região pélvica, abdominal ou para realizar a cirurgia. A microcâmera irá mostrar através de um monitor toda a parte de dentro do abdômen e o médico poderá também realizar cortes e soltar aderências que estejam presentes.

O preparo para realizar o exame consiste em realizar exames anteriores, como os pré-operatórios e a avaliação do risco cirúrgico, e quando este exame explora a cavidade abdominal é necessário esvaziar completamente o intestino usando laxantes sob indicação médica no dia anterior ao exame.

Como é a Recuperação da videolaparoscopia

A recuperação da cirurgia por videolaparoscopia é muito melhor que numa cirurgia convencional, pois há menos cortes e o sangramento durante a cirurgia é mínimo. O tempo de recuperação de uma cirurgia por videolaparoscopia dura de 7 a 14 dias, dependendo do procedimento. Após este período o indivíduo poderá voltar gradativamente às suas tarefas diárias.
Logo após a videolaparoscopia é normal: sentir dor no abdômen, dor nos ombros, ficar com intestino preso, sentir-se inchado, enjoado e com vontade de vomitar. Por isso, durante o período de recuperação, deve-se descansar o máximo possível e evitar: ter relações sexuais, dirigir, limpar a casa, fazer compras e fazer exercícios nos primeiros 15 dias.

Quando não deve ser feita

A videolaparoscopia não deve ser realizada em caso de gravidez avançada, nas pessoas com obesidade mórbida, quando foram realizadas várias laparotomias anteriormente, em caso de tuberculose no peritôneo, câncer detectado na região, massa abdominal volumosa, e quando a pessoa encontra-se gravemente debilitada. Também não deve ser realizada em caso de obstrução intestinal, peritonite, hérnias abdominais e quando não é possível aplicar a anestesia geral.