GAECO: quadrilha fraudava lista de espera do SUS

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), juntamente com a Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (02/08), a Operação Emergência, desmantelando uma organização criminosa que fraudava a lista de espera por procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Meio Oeste catarinense.

Foram cumpridos os nove mandados de prisão temporária e 38 dos 39 mandados busca e apreensão nos municípios catarinenses de Caçador, Lebon Régis, Ibiam, Timbó Grande, Ibicaré, Videira, Rio das Antas, Calmon, Santa Cecília, Faxinal dos Guedes, Ponte Serrada. O mandado que seria cumprido em Balneário Camboriú deixou de ser efetivado em função de mudança de endereço do investigado.

Os mandados foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina atendendo a pedido da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Jurídicos do MPSC. Os presos temporários - agentes públicos e profissionais da saúde - foram conduzidos para a Unidade Prisional Avançada de Caçador.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências, empresas, consultórios médicos, órgãos públicos e estabelecimentos hospitalares. Foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos relacionados aos pacientes atendidos pelo esquema criminoso e quantias em dinheiro. Como funcionava o esquema:

Um paciente que já estava na fila para procedimentos cirúrgicos no SUS (cirurgia eletiva) desejava adiantar sua cirurgia. O paciente entrava em contato com o articulador para organizar um encontro com o operador do esquema. O operador organizava com a equipe hospitalar a data para a entrada do interessado em situação de “emergência”.

O Paciente realizava o pagamento de valores ao Operador, que ficava encarregado de repassá-los aos demais envolvidos Depois do atendimento, o operador instruía o paciente - que não desejava arcar com os custos do tratamento na rede privada - a simular/dramatizar seu estado de saúde a fim de dar entrada como "emergência" no SUS.

O articulador apresentava o operador ao paciente, que relatava seu caso. Assim, o operador entrava em contato com a equipe médica plantonista e instruia o interessado a simular/dramatizar seu estado de saúde.

Na data combinada o paciente era recebido como “emergência” simulando dores e/ou estado de saúde grave. Dados fictícios eram inseridos no sistema (SISREG) com o intuito de justificar o atendimento de emergência. O paciente furava a fila do SUS e fazia a cirurgia.