Sucessão: o quadro é dantesco

Em 21 de julho:11 partidos políticos confirmaram o Gelson Merísio (PSD) candidato ao governo. No dia 28 de julho, o Amin foi oficializado candidato ao governo pelo PP. Mas neste domingo, dia 5 de agosto, PSD e PP resolveram juntar os panos e ter Merísio como candidato único ao governo.

Dia 29 de julho, Paulo Bauer (PSDB) teve seu nome aclamado pelo partido como candidato ao governo. Inarredável, dizia ele. Neste domingo, seu partido fechou coligação com o MDB e o inarredável ficou relativo. 

Tanto PP quanto PSDB mentiram a si mesmos e aos seus eleitores. Protagonizaram uma cena lamentável. As aclamações, os sentimentos, o vozerio por isso e por aquilo, proposta de governo, autenticidades, tudo rolou ladeira abaixo. Se era pra ser como foi, por que não negociaram antes? 

Outro fato merecedor de registro: a proposta do próprio Mariani de combater a "ineficiência do Estado", trabalhar para racionalizar o uso da máquina e sua estrutura gigantesca e, finalmente, criticar com acidez os gastos e a dívida monstruosa de mais de R$ 3 bilhões deixada para o próximo governador, causada por pura incapacidade de gestão. Dito assim, até parece que o MDB (ou PMDB) nunca esteve dentro do governo, ocupando cargos, apoiando ostensivamente, defendendo suas ações, nomeando, usando recursos e, danado de ruim, fazendo ouvidos moucos a tudo que de ruim produziu o atual estado de coisas enquanto o PMDB pairava sobranceiro na estrutura de poder. Situação fática afinal criticada, tardiamente, pelo próprio candidato.

O PSDB, por sua vez, foi tantas vezes partícipe e tantas vezes humilhado - e então não se entende o ato de dar beijos no chicote que lhe vergastou as costas.

E o eleitor, este alijado e este alienado, vai ter que decidir novamente nesse quadro dantesco. Tipo "para ou continua" dos velhos programas de televisão. 

Se acham que isso é uma mera crítica, não é: é uma constatação real. Exceto se os espectadores estejam cegos. Forma-se aí a hipótese e a razão da descrença na política.