A eleição, nossos candidatos e as abóboras da carroça

As abóboras da carroça ainda estão assentando no trilhar do caminho, como dizia Victor Fontana, velho político do PSD, ex-deputado federal e vice-governador no primeiro governo de Esperidião Amin, de 1983 a 1986. Porém, os nomes de candidatos estão lançados, restando apenas o protocolo da legislação eleitoral, demarcado até 15 de agosto para todas as confirmações dos nomes. Surpresas ainda podem ocorrer, portanto, mas isso não calça o carro.

Dentre os nomes colocados, já se pode avaliar possibilidades preliminares de desempenho. Usando-se como parâmetros outras eleições como a de 2018, como a de 2014 e a de 2010, juntando-se números, dados e comportamento eleitoral dos candidatos, pode-se inferir que, regra geral, o mais votado em Balneário Camboriú sempre circulou em torno de 18 mil votos na média entre uma eleição e outra, de 2002 a 2014. Começando com 10 mil em 2002 e terminando com 17 mil em 2006. Nos demais anos, ficou entre 14 e 15 mil, não mais.

Nenhum, nem Dado (2010) e nem Piriquito (2006), no auge dos auges da força política, encostaram em 20 mil votos, em relação à candidatura de deputado estadual. A título de comparação, Fabrício Oliveira, em 2014, força eleitoral plena e concorrendo à Câmara Federal, conquistou pouco mais de 22 mil votos. Foi o ápice, mas não tem relação com votação de deputado estadual.

Isto significa que o mais otimista dos otimistas pode exagerar se considerar furar a barreira dos 20 mil votos, mesmo com o crescimento vegetativo do eleitorado (hoje em torno de 92 mil). Será uma conquista e tanto, e neste momento só dois estão habilitados a isto, se forem muito bem na campanha e chegarem na ponta dos cascos no dia da eleição: Carlos Humberto e Edson Piriquito.

Mas nenhuma análise pode desprezar uma consideração sobre ambos, reconhecendo-se suas possibilidades reais e imaginando-se uma disputa direta entre ambos pela supremacia dos votos – um apoiado pelo prefeito Fabrício Oliveira e outro apostando nos sentimentos de oposição à atual administração. Esta será, forçosamente, a tônica eleitoral dessa disputa.

Falando-se em mobilização de campanha, em dinâmica pessoal, em estrutura, em organização, em tempo de andanças já contabilizado, Carlos Humberto joga um pouco na frente.  Está na estrada há algum tempo, circula de forma febricitante pelo Estado inteiro e na região, gira pela cidade como um dínamo em tensão máxima. Em política e em eleição, esses fatores contam muito.

Piriquito, embora forte como apelo pessoal e quem sabe até na estratégia de encorpar o espírito anti-governo municipal, ainda não conseguiu explodir – mesmo porque ficou indefinido no período antecedente da convenção entre Senado e Assembléia. Merece todo o respeito e tem potencial, mas o seu jogo foi mal jogado até aqui. Pior de tudo será encarar um concorrente direto na região dentro do MDB – o vereador Thiago Morastoni, de Itajaí. Que, como o pai, não deve chegar a mil votos em Balneário, mas vai estourar (ou pelo menos esta é uma tendência lógica), em Itajaí e em Navegantes.

O restante das candidaturas, com todo o respeito que merecem, se forma de nomes cujo apelo até pode surpreender, mas numa avaliação fria, não tem chances maiores.

Mas os males que sempre atingiram nossos candidatos, de forma geral, estão noutra área: temos candidatos demais e a tendência de pulverizar votos é real. Já comparamos aqui: o sul do Estado (regiões de Criciúma e Araranguá) tem 27 municípios (12 em Criciúma e 15 em Araranguá) e possui em torno de 40 mil votos a mais do que os 11 municípios da Amfri. Em 2014, nós mal elegemos um deputado estadual e nenhum federal. O extremo sul elegeu cinco estaduais e três federais. Detalhe: quatro dos estaduais eleitos e os três federais têm base em Criciúma. As razões sabemos: a população do sul tem raízes e poucos migrantes, municípios na maioria pequeninos, com menos de 10 mil habitantes e as entidades de representação social de lá fizeram uma campanha firme em torno do voto regional. Diferente de nós, que perdemos tempo precioso disputando hegemonias políticas entre os municípios, para saber quem pode mais e atritando um com o outro por paixonites telúricas e bairrismos inúteis.

Ainda falaremos mais sobre isso, pois a carruagem ainda vai andar e as abóboras podem mudar de lugar.