Outra eleição para se mudar. Mas como?

Pesquisas em profusão pipocando por todos os cantos, com institutos especializados e seus levantamentos mostrando números divergentes entre si e polêmicos por seus quantificadores. Exemplos: a supremacia (Ibope) de Décio Lima (PT) em Santa Catarina,; a proximidade, na mesma pesquisa, entre Gelson Merísio (PSD) e Ângelo Henrique da Silva Castro (PCO) – 6% ao primeiro e 4% ao segundo e um empate técnico entre os três concorrentes principais ao Senado - Esperidião Amin (PP), Raimundo Colombo (PSD) e Paulo Bauer (PSDB). Isto tudo soa estranho para muitos. O que não soa estranho são os dados preocupantes de abstenção, votos nulos e indefinição dos eleitores até aqui, apesar da intensa exposição dos candidatos: 69% estão distantes da eleição para o Senado e 57% estão longe da eleição ao Governo.

Há fatos consideráveis em qualquer disputa eleitoral: o eleitor flutuante, aquele cujo voto é decidido apenas na hora de teclar a urna eletrônica ou no dia da eleição, influenciado por fatores indefinidos. Segundo estudos, este eleitor flutuante chega a 70% do eleitorado total. É o eleitor sem paixão partidária, sem cor ideológica e sem vínculo qualquer com candidatos. O eleitor livre, leve e solto. É a este que as campanhas precisam ser direcionadas, no sentido de convencê-lo a decidir por um nome. E esta realidade é demonstrada pelos números de indecisos e por aqueles que, a priori, declaram abstenção e voto nulo ou branco. São os que estão sempre, além de indefinidos, desconsolados. E convenhamos: o espectro eleitoral, por candidatos e partidos, não ajuda muito nisso.

Se olharmos bem, as eleições presidenciais e governamentais – e falamos aqui de muitos estados da federação, desde 1989 -, repetem, em maioria dos casos, os mesmos nomes nas disputas majoritárias e proporcionais. Um pouco de culpa das cúpulas, que insistem nisso e muito de culpa do eleitorado, que, apesar de nomes novos apresentados através dos pequenos partidos, continua sacramentando os velhos líderes e prestigiando os grandes partidos. Pior de tudo é ouvir essa mesma massa disforme continuar pregando a necessidade de “renovação”. Ela mesma não renova seu voto e sua preferência. Então inexiste autoridade moral para falar.

Assim, veremos poucas surpresas nesta eleição, tanto quanto nas anteriores. E quiçá nas futuras.