Uma eleição cheia de indecisos

Os números de pesquisas em SC são preocupantes para candidatos: mais de 30% dos eleitores ainda se acreditam sem nomes bons para depositar seus votos. Com nove nomes disputando o governo, isto é ainda pior, pois não se pode alegar falta de opções. Os mais conhecidos, aqueles cujos nomes circularam na mídia o tempo inteiro, mesmo antes da campanha, são, por lógica, os mais atingidos, pois se ainda não há decisão sobre eles, terão pela frente uma missão hercúlea - de sensibilizar o eleitorado indefinido.

No todo, com abstenções, brancos e nulos e aqueles que ainda não sabem em quem votar, os percentuais de não-voto sobem a 57%. É mais da metade do eleitorado, o maior índice em mais de três eleições. Em todos os estados os índices são também ruins, mas os de SC são piores.

Bom lembrar da eleição francesa, em que Emmanuel Macron, o jovem presidente eleito em 2017, chegou com a menor adesão de votos válidos dos últimos 60 anos. Isso demonstra que a insatisfação é geral e é com os políticos, lá ou cá.

Em Santa Catarina, especialmente, as manobras finais para se chegar aos acertos consolidados na undécima hora só tornaram a situação ainda mais feia. Adversários tradicionais se juntaram, companheiros de governo até ali passaram da parceria à crítica, governantes passaram a admitir solidariedades duvidosas do ponto de vista partidário e político - fatos de demérito da crença em todos. O caldo ideal para a tumultuada situação. Vai ficar problemático, perante o eleitor, explicar que o que não era passa a ser e o que era passa a não ser.