Pela renovação ampla, geral e irrestrita

Renovação poderia ser a sucessão de novos em lugar dos mais velhos. Mas não é. No Brasil, há uma fórmula "mágica" de falar em renovação criando oligarquias familiares e políticas jogando o poder de um pra outro com todo o despudor possível. Pior quando o eleitorado convalida. O caso mais escandaloso está em SC: uma cria de Jorge Bornhausen, o ex-deputado e conselheiro do TCE, Júlio Garcia. Deixou de ser deputado após a indicação para o Tribunal de Contas. Na sua vaga de deputado pela região de Tubarão colocou José Nei Ascari. Aposentado no TCE o que fez Júlio Garcia? Colocou José Nei Ascari no seu lugar e retomou a candidatura à Assembleia. Um joguinho de "empurra" milionário entre os dois, com aval de seus líderes e absoluto silêncio da grande (e pequena) mídia. Com isso, Garcia acumula dois vencimentos (o de deputado, se vencer, e o de ex-conselheiro). Querem mais ?

Em todas as regiões, ex-postulantes saem, mas jogam no seu lugar, filhos, irmãos, tios, esposas. 

Pior quando pregam "renovação" e não praticam. Até pelo contrário, traem a pregação. No sul, Jorge Boeira, ex-PT e atual PP, resolveu sair da eleição. A quem indicou para o seu lugar? Um nome novo? Não. Indicou Leodegar Tiscoski, ex-deputado estadual, ex-deputado federal do partido. Com todo o respeito que o indicado e indicador possam merecer, é uma afronta à lógica da renovação e da alternância.

Se essas coisas são impossíveis de exterminar, ao menos o eleitorado poderia sensibilizar e ir por outro caminho. Para ao menos diminuir. Novos nomes não faltam. Gente que está fora dos vícios disso tudo. Cabeças com ideias mais avançadas, com disposição de não "perpetuar a espécie", pulando de uma eleição para outra em meio ao mandato, como tantos fizeram e fazem. 

Aliás, no Brasil não deveria haver reeleição. Aumente-se o mandato e acabe-se com a reeleição, no caso do Executivo. Ou quem tivesse sido eleito e reeleito, se mantido o instituto, não pudesse mais se candidatar ao mesmo cargo. E pronto. 

Deputados e senadores, igualmente, deveriam ter um número de reeleições máximo. 

E daí em diante, mudar também os critérios para indicação de conselheiros e ministros de tribunais. Se possível escolha por concurso ou por seleção de méritos, com provas e títulos. E com tempo limitado de mandato. Isso acabaria com essa zorra de rodízio de privilégios e indicações políticas, com riscos de ingerência nas decisões. Os exemplos de STF e outros tribunais estão aí.