As fortes contradições de Merísio e Mariani

A decisão do voto está complicada. Há muitos fluxos e refluxos.

A linguagem dos candidatos é contraditória. Todos resumem projetos de salvação do Estado. Os de oposição, com lógica. É seu papel. Tem sido muito esquisita a postura crítica dos candidatos Gelson Merísio e Mauro Mariani. São concorrentes entre si, pregam as mesmas coisas, propõem iguais formas de governar, com pouquíssimas diferenças entre um e outro.

Dá para explicar: são originários do governo que querem substituir. Viveram lá dentro, saborearam o que foi possível e agora renegam os defeitos que só enxergam fora do governo. Enquanto lá, nada parecia nítido. Pelo que falam na sua propaganda eleitoral, parece que viveram noutro mundo. Foram instrumentos do poder e são tão culpados pelos erros cometidos quanto Raimundo Colombo. Se a saúde, a segurança, a educação, as rodovias, o saneamento, o governo como um todo, com sua dívida astronômica e seu inchaço funcional estão do jeito que estão, eles têm responsabilidade solidária. 

Essa discrepância ou essa hipocrisia conduz a uma dúvida razoável no voto. Porque, ante o quadro passado, inexiste confiança de que mudarão algo. Ao menos no sentido mais amplo.

São críticos de si mesmo. Melhor seria se explicassem quais foram suas intervenções em favor de mudanças enquanto estiveram dentro do governo. E porque, tendo força de mudar de dentro pra fora - inclusive ante a maioria esmagadora de votos na Assembleia, onde convalidaram tudo o que Colombo quis - não o fizeram.

As pesquisas, creia-se nelas ou não, indicam de forma muito clara o desalento. O volume de indecisos, brancos, abstenções e nulos é enorme. E os índices dos próprios candidatos espelham isso de outra forma, com a proximidade, por exemplo, do candidato do PT, Décio Lima, partido que jamais chegou tão perto em eleições anteriores, mesmo em pesquisas tidas como duvidosas. A proximidade do PT de Décio Lima demonstra o desalento com a realidade do momento. Porque, com todos os defeitos que Décio e o PT possam ter (e têm), ele representa uma oposição a tudo o que está posto em SC. Oposição sincera e legítima. Mais ou menos como parece estar ocorrendo em nível de Brasil, com a supremacia, ainda, de Jair Bolsonaro na liderança de todas as pesquisas. Com o impressionante fator de que ele é sozinho, não tem qualquer estrutura a seu favor e lida com uma saraivada de pressões por todos os lados, desde a imprensa até a hostilidade dos demais candidatos e do chamado establishment. E no entanto não arreda do lugar. É o desassossego da mudança que o eleitor quer, seja para que lado for - e o lado escolhido, em geral, nesses casos, é aquele que representa a ruptura do sistema. Caso de Décio Lima em SC e Bolsonaro em Brasília.