O presidiário e o faqueado

A retirada definitiva de Lula da disputa por prazos fatais da legislação eleitoral (abstraído o absurdo de vê-lo este tempo todo teimando em disputar, estando preso e impedido por lei, com a leniência da Justiça) e o atentado político contra Jair Bolsonaro, alimentam o caldo eleitoral.

Petitas e adversários em geral condenam o "uso político-eleitoral" de Bolsonaro a partir do leito  hospitalar. Mas acham normal um presidiário usar a cela de uma prisão para vitimizar-se e promover-se, cometendo um atentado legal atrás do outro com recursos absurdos, a ponto de se tentar impor à Justiça Eleitoral uma "recomendação" de dois aloprados do famigerado Comitê de Direitos Humanos da ONU, que nada tem de legítimo para nada, nem para a própria ONU, pois sua voz é de terceiro ou quarto plano dentro da instituição mundial. E nem tem repercussão decisória qualquer. Nem dentro e nem fora.

Ambos, Bolsonaro e Lula, usam e abusam de suas tragédias para conquistar eleitores. Há outros fatos:

De um lado, lulistas dizem que, por causa de sua prisão "injusta", o Brasil absolve Lula e o elegeria em primeiro turno, se pudesse ser candidato. De outro lado, bolsonaristas invocam o atentado como um fator de impulsionamento da sua candidatura. É muita pobreza. Pobreza que se reflete nos demais candidatos, usando e abusando de ataques e contra-ataques entre si para justificar suas candidaturas.

Ora, exceto se o eleitor brasileiro for mais burro do que já demonstrou ser em muitas eleições (Collor, por exemplo, em 1989), ninguém, em sã consciência, a não ser fanáticos inveterados, acreditaria que Lula, com todos os negativismos que o cercam (a prisão por corrupção e lavagem de dinheiro à frente, motivo de sua prisão), ganharia em primeiro turno a eleição, se nem em 2002, no seu auge dos auges político e eleitoral não venceu e só perdeu, naquela ocasião, em Alagoas. Depois disso e em eleições sucessivas, ele e Dilma, ainda com poderio absoluto, porque no exercício do poder nacional, conseguiram vencer num primeiro turno. Foram quatro eleições sucessivas, contra Alckmin, Aécio e Serra (duas vezes, uma contra Lula e outra contra Dilma), o suprassumo do PSDB - e todas no segundo turno. Com perda de eleitorado de eleição para eleição. Portanto, difícil crer que, depois de tanta devassidão, tenham evoluído na preferência do cidadão eleitor. Quase impossível. Exceto, como se disse lá no início, se o eleitor brasileiro for mais burro do que já demonstrou noutras eleições.

O direito de Bolsonaro usar o fator atentado é o mesmo de Lula usar o fator prisão. Ambos deletérios. Ambos abusivos.

De qualquer maneira, esta eleição, com a introdução de Haddad (o "Poste") no lugar de Lula apresenta a novidade. Muda pouco e muda pra pior. A não ser por um fenômeno muito próximo da loucura coletiva, Haddad cruzará os índices necessários para chegar próximo do líder de todas as pesquisas. Que  não se duvide, claro, mas é muito difícil. A cabeça de eleitor é algo misterioso demais.

Vamos então ao compasso de espera, para tirar todas as dúvidas e ver o estouro da boiada.