As táticas de Simon e Esperidião

O Pedro Simon, senador, estava sempre nas colunas políticas e manchetes com suas opiniões. No entanto, raramente ia à tribuna falar. Os outros se esgoelavam na tribuna e, no entanto, a imprensa raramente lhes dava destaque.
Perguntam a Simon o segredo disso. E ele explicou: "Eu não falo o que todos falam e nem falo para todos. Lá no recanto do cafezinho falo com os jornalistas com tom de matéria exclusiva, quase um segredo ou assunto "de cocheira". E então eles publicam".
Há alguns segredos que políticos no exercício do mandato poderiam aprender e aplicar, como este de Pedro Simon. Simples, objetivo e eficaz. Colunista político não quer o geral, quer o exclusivo. É disso que colunista vive. De preferência, quente. Domínio geral é pro corpo do jornal, não pra coluna, com exceções raras e inevitáveis,como os grandes temas em discussão.
Outra lição é evitar ir a reboque dos fatos ou das críticas e cair na defensiva sempre. Com danos óbvios. Isso a mera divulgação de releases ou de ações não resolvem. É preciso antecipar, chegar na frente, encarar as feras da imprensa antes que elas promovam suas próprias versões sobre os fatos, que viram verdades e fica difícil contornar depois.
No seu primeiro mandado, fui a muitas coletivas de todas as segundas-feiras pela manhã, em Florianópolis, do então governador Esperidião Amin, onde ele abria espaço para qualquer pergunta e debate. Ali ele antecipava tudo o que a semana reservava e a imprensa tratava tudo sem surpresa e sem possibilidades (ou com possibilidade menor) de torcer o assunto a seu modo, como muitas vezes a imprensa (ou alguns colunistas e repórteres) faz. Até por dúvidas que ficam pendentes de análise e por falta de acesso à fonte da informação e aí entramos noutro erro: o político viver escondido atrás de assessores mais realistas que o rei e que trancam o assessorado numa redoma indevassável. E quando o pau come, ficam apavorados, buscando espaço. 
Uma pitada de sincericídio não faz mal a ninguém.