Nossa orla comprometida

Quando surgiu a infeliz ideia de erguer na orla as estruturas fixas dos quiosques de churros e milhos, criticamos severamente. Muitos concordaram e outros discordaram. Sempre achamos - e continuamos achando - um atentado à natureza da praia. As primeiras razões são as constitutivas do projeto: além da revelia do bom gosto, a imposição de gasto dos licitantes (até pelo fato de ser uma concessão provisória, regrada especificamente assim) e a ocupação indevida do espaço público - porque veda o visual do mar e acumula problemas, como a destinação dos dejetos de cozinha, por exemplo. 

Agora eclodiu outro: a indevida ocupação por drogados e desocupados desses espaços. Solução improvisada: colocar gradeados sobre o vão da estrutura principal. O que indica não ter havido o devido planejamento para as consequências eventuais, alertadas com fartura na época. Mas o pessoal da administração encarregado disso é muito auto-suficiente e não atende apelos, nem os lógicos e nem os exagerados. Acham-se acima do bem e do mal. E o caso dos quiosques de milhos e churros não é único.

Isto quer dizer que construíram aleijões que a cada dia ficam mais feios para a nossa linda praia, desconectando com a realidade das belezas naturais, tão decantadas. Se a Praia Central fosse concorrer à tal Bandeira Azul ficaria em último lugar no mundo. Por outras razões, claro, como a reconhecida poluição da orla, mas também por isso. O cenário é horrível.

As fotos anexas mostram a visão de quem passa na orla e quer olhar na direção do mar: simplesmente não consegue. Em tempos de temporada, ao redor desses locais estarão pessoas atrapalhando a passagem. E em tempos de fora de temporada (como agora), os locais ficam sozinhos, sem ninguém para cuidar, abandonados (a maioria imensa), demonstrando a falta de critério administrativo - o de montar estruturas inamovíveis num local assim. No inverno, são como taperas à beira mar plantadas.

Ao invés de se criar livre acesso, criam-se obstáculos. Mania feia.