Marambaia: uma cara solução emergencial

Em seis análises de balneabilidade, o Pontal Norte de Balneário Camboriú apresentou índices máximos de coliformes por 100 mililitros: 24.196. Uma delas neste 24 de setembro. As outras foram em 29 de janeiro, sob vento Oeste, maré vazante e chuva moderada; 14 de fevereiro, sob vento Sudeste, maré vazante e sem chuva; 12 de março, sob vento Sudoeste, maré cheia, sem chuva; 26 de março, sob vento Sul, maré vazante, chuva intensa; 2 de maio, sob vento Sudeste, maré cheia e chuva fraca; finalmente, dia 24 de setembro, sob vento Nordeste, maré cheia, sem chuva.

Os dados revelam a manutenção dos índices de poluição do Marambaia, principal causa dessa degradação do Pontal Norte desde sempre, cuja incidência as operações de limpeza não evitaram até agora, apesar dos estardalhaços de ações de dragagem e retirada de resíduos. A razão é simples: os despejos continuam e, verdade seja dita, nem a Emasa e nem ninguém ainda conseguiu detectar todas as origens, a condição e a quantidade desses despejos. A única realidade é que continuam sendo feitos em abundância.

Por derradeiro, ensaia-se uma intenção de implantar ali equipamentos de contenção ou redução, como uma saída resolutiva final, mas ela é emergencial, pois não elimina a poluição continuada. Além disso, a capacidade de tratamento da tal Unidade de Tratamento de Rio não absorve o volume, por exemplo, em dias de enxurrada e, pelos menos nós não sabemos, quais os parâmetros de DBO e massa orgânica que ela é capaz de tratar, em volumes máximos.

Tem tudo para ser uma solução emergencial e, por isso mesmo, excessivamente cara. Alguns falam em R$ 12 milhões, outros em até R$ 17 milhões. 

Uma coisa parecida aconteceu com a ETE de Taquaras. Construída como solução para parte das Praias Agrestes, está para ser desativada, tão logo inicie a condução do esgoto para a ETE do Nova Esperança. Porque ela simplesmente falhou no principal, devido ao seu dimensionamento. Construída para absorver cerca de cinco mil pessoas, até hoje não passou de quinhentos. Por isso não funciona. A prova é que até agora a Lagoa de Taquaras continua sendo parâmetro negativo de balnebilidade da nossa orla - embora, de fato, fiquemos sem entender quais os motivos que leva a Fatma, atual IMA, a manter análises num local onde ninguém se banha e de onde ninguém retira água para nada. Ademais, a lagoa não influencia sequer na condição do mar defronte à sua saída. A ETE de Taquaras foi concebida sob iguais argumentos da UTR que querem implantar no Marambaia.