Eleição: a hora de dar preferência aos nossos

Um bom exercício eleitoral é confrontar votações dos candidatos à Assembleia Legislativa em Balneário Camboriú em eleições passadas e, a partir disso, medir possibilidades dos atuais candidatos, consideradas não apenas seus nomes, mas também suas estruturas.

Rapidamente: em 2002, Dado Cherem liderou a votação na cidade com 10.470 votos. Em 2006, a liderança de votos coube a Edson Piriquito, com 17.314, teto máximo dentre todos, em outras eleições passadas e seguintes. Em 2010, Dado chegou aos 14.325 e em 2014, Pavan conquistou 15.141 votos. Como se percebe, apesar do crescimento vegetativo do eleitorado, as votações nunca foram significativas, guardando as proporções desse crescimento, na média. Nenhum deles atingiu o patamar de 20 mil votos. O mais bem votado na Amfri em todos os tempos foi Dado Cherem. Fora da Amfri também. Os que chegaram mais perto fora da Amfri foram Piriquito e Pavan, assim mesmo com votações pouco convincentes - nem chegando a 10 mil votos. No caso de Pavan, pior ainda, pois saía de  um mandato de vice-governador e governador e, teoricamente, deveria ter renome para chegar a muito mais. Como, aliás, ele, seus seguidores e os analistas mais expressivos de políticos de SC achavam que seria: uma votação consagradora, ao redor dos 150 ou 200 mil votos. O final demonstrou que, com menos 2,5 mil votos, nem chegaria à titularidade do mandato.

Isto dito, bom os atuais candidatos colocarem suas equipes com força na rua nestes derradeiros momentos de campanha, com a certeza de terem feito o dever de casa na busca de apoios e votos na Amfri e fora dela. Caso contrário, a situação poderá se tornar nervosa.

Certo que as realidades, ao longo das sucessivas eleições, mudam em relação às coligações elaboradas em cada uma delas - o que pesa como fator de soma e de quociente eleitoral. Todavia, há que se buscar votos majoritários dentro dessas coligações, sob pena de ficar para trás. Nesta eleição, exatamente em função disso, há boas possibilidades na nossa região para Carlos Humberto, Edson Piriquito, Paulinha, Thiago Morastoni e Anna Carolina. Não apenas pelas coligações que integram, mas pelo potencial próprio que têm. 

Talvez, com a atual nominata, tenhamos chegado a um ponto crucial para recuperarmos terreno na força política, porque até aqui tem sido vexaminoso. Temos na Amfri 400 mil votos e sequer um deputado federal possuímos; temos apenas um deputado estadual eleito quase pelas beiradas, enquanto o sul (costumo repetir isso cansativamente), com 440 mil votos (12 municípios da região de Criciúma e 15 da região do Araranguá), elegeu cinco deputados estaduais e três deputados federais. Dá para explicar pela dispersão de votos a partir da forte migração que aqui temos e lá não há. Mas lá sempre fazem intensas campanhas em favor dos seus candidatos, sem foco de partidos ou ideologias. É uma norma de todas as cidades, arquitetada harmonicamente. Aqui, brigamos conosco mesmos, disputando hegemonia entre cidades, entre partidos e entre ideologias. E, ao invés de somarmos, diminuímos. Servimos de agulha para as linhas alheias. Está na hora de acabar com isso.