As lições que essa eleição nos legou

A impressionante mudança dos paradigmas eleitorais e políticos marcada por esta eleição deixa antever os sentimentos muito fortes de mudanças por parte do cidadão e também um cansaço enorme com os vícios das velhas políticas. Em Santa Catarina o exemplo ficou muito evidente: Raimundo Colombo nem encostou nos líderes da votação ao Senado, ficando atrás de Lucas Esmeraldino, do PSL, que por pouco não chegou. Jorginho Melo chegou até bem, surpreendendo na votação prevista nas pesquisas, tanto quanto Esmeraldino.

A presença do Comandante Moisés, do PSL, candidato de Bolsonaro, na disputa do segundo turno ao governo do Estado contra Merísio, foi talvez a maior surpresa e a maior demonstração de força dessas mudanças e da quebra desses paradigmas. A simbologia é profunda. O segundo turno será uma incógnita, dependendo do que decidirá o MDB e Mauro Mariani. Segundo turno é outra eleição, com as forças sendo forçadas a se aglutinar de maneira diferente, sem os mesmos parâmetros de primeiro turno. A saber se até o apoio do MDB resolverá muito ou se será superado pela franca influência do próprio bolsonarismo claro que marcou a eleição.

Houve uma importante renovação nas bancadas federal e estadual, com o surgimento de novos elementos partidários, como o Novo e o PSL. 

Para a nossa região repetiu-se a demonstração de fragilidade eleitoral. Chegou a ex-prefeita de Bombinhas, Paulinha, coisa que poderia ser prevista, mas a sua votação excedeu previsões otimistas. Novamente só colocamos um estadual e nenhum federal. Faz tempo que a região não consegue sair do chão em termos de representatividade.

As votações de Thiago Morastoni, Carlos Humberto e Edson Piriquito foram decepcionantes, se considerarmos a força dos nomes e o volume das campanhas. Anna Carolina até conquistou bom volume de votos, mas mesmo assim ficou pra trás. 

Nem vamos falar dos outros nomes concorrentes à Câmara ou à Assembleia, cujas votações eram previstas e foram muito aquém do que imaginaram ou acharam que poderiam conquistar. Essas ilusões oportunistas rebentam, em todas as eleições, com a possibilidade de termos mais forças de representação estadual e federal. Piriquito necessitaria de alguns milhares de votos a mais para chegar. Carlos Humberto, com dois mil a mais poderia ter chegado. 

Para Carlos Humberto foi uma primeira experiência e, nessa condição, até foi bem votado. Piriquito, ao contrário, além de dois mandatos consecutivos de prefeito, coisa recente, e de uma eleição para deputado estadual, quando conquistou, só em Balneário Camboriú, 17 mil votos, num total de 28.366 votos (primeira suplência), sofreu um revés que exigirá, no mínimo, uma reflexão profunda, pois não chegou a 21 mil votos nesta eleição.

Enfim, não só os candidatos terão que repensar seus posicionamentos e sua força, mas igualmente seus partidos, seus correligionários e principalmente os eleitores da região, se quisermos mudar o quadro e melhorar nossa representatividade em termos numéricos. 

As lições estão postas à mesa. Aprender vem de cada um.