A disputa eleitoral entre erros e dispersões

Há muito a ser avaliado quanto aos resultados das eleições de 2018. Uma coisa ficou, todavia: o sentimento de mudança aflorou com toda a força. O povo, quem sabe, aguardava uma saída para a renovação ou a mudança, eis que a estrutura se manteve viciada o tempo inteiro. Mudar apenas de um lado para outro, numa simples alternância, ficou assinalada pela opção de sair da frigideira e cair no fogo. Os partidos e os políticos permaneceram conspurcando o quadro, repetindo-se viciosamente, como se fossem donos do poder. E de fato o foram durante todo o tempo. Com a eleição deste ano, houve um bafejo diferente e um recado forte às velhas lideranças e aos políticos erráticos, aqueles que achavam (ainda acham?) que o povo é uma massa disforme e maleável, capaz de ser direcionada para onde o vento sopra ou para onde os desejos e objetivos da classe dominante da política quer (ou queria).

E aqui não se discrimina ou setoriza. Todos estão incluídos, independente de preferência ideológica, partidária ou social. 

O recado forte na ascensão do pequenino PSL, até aqui insignificante, induzido pela onda bolsonarista não é, em si mesmo, uma demonstração de pujança da legenda, senão uma evidência de asco pelos antigos. Foi a luz do fim do túnel. Faltava um ideário diferenciado, com um comandante (ou um eixo em torno do qual girasse a onda) carismático e forte. A onda Bolsonaro é uma realidade insofismável. Não reconhecer isso é ser inepto.

Nem as pesquisas indicaram e nem a população em geral sentiu, por exemplo, a possibilidade do Comandante Moisés ir ao segundo turno da eleição ao governo de Santa Catarina, disputando espaço com as velhas raposas do PT e do MDB e até do PSD e seus quinze partidos coligados na chapa. 

Assim também as pesquisas erraram feio nos levantamentos para o Senado. O candidato Lucas Esmeraldino, do PSL, não chegou por pequenos detalhes e superou o ex-governador Raimundo Colombo com grande margem. E, pelas pesquisas, estava muito atrás, até à véspera.

Erraram as pesquisas aqui e erraram as pesquisas em São Paulo, em Minas, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, no Paraná, além de outros estados. A rigor, desmoralizaram-se até na boca de urna. 

Quanto à nossa realidade: os nossos candidatos rodaram novamente por falta de votos locais e por uma dispersão quase criminosa de votos em candidatos de outras regiões: em Balneário Camboriú foram votados para a Assembleia 387 nomes. Aqui se lançaram muitas candidaturas sabidamente sem chances. Algumas com o sentido apenas de marcar posição. Outras com o fim específico de dividir votos de alguém. Tipo: se eu não puder ir, "ele" também não vai. E assim caminha a humanidade e nós nos fragilizamos tremendamente ante os poderes estaduais. Perdemos força reivindicatória.

Em termos de candidaturas à Câmara Federal nem se fala. Nem taxiamos na pista de decolagem.

Cremos que, lançado por primeira vez, Carlos Humberto conquistou uma posição interessante, seja em votos, seja em postura. A Amfri não lhe deu os votos esperados, incluindo Balneário. Mas isso também ocorreu com aquele que seria seu contraponto político-eleitoral, o ex-prefeito Piriquito.  Ambos praticamente empataram na votação aqui e foram terrivelmente mal votados na Amfri. Lá fora, Carlos Humberto levou vantagem nítida. Piriquito fez uma projeção temerária de chegar a 20 mil votos em BC. Nem no seu auge político (2006), conseguiu. Confiou que o desgaste da administração de Fabrício Oliveira o transformaria em um símbolo de oposição forte. Não contou com o seu próprio desgaste, inflado por uma campanha mal feita, refreada por imobilidade infantil e, quem sabe, por uma falta de visão contextual: tendo sido secretário Regional, talvez tenha achado que isso renderia votos. O que não ocorreu. 

Por esses resultados, a incógnita na sucessão municipal - certamente um fim especial da eleição deste ano para muitos, inclusive Piriquito - continua aberta. Piriquito pode ter sepultado uma boa oportunidade de, novamente, concorrer à prefeitura. A demonstração eleitoral serviu de lição. 

Mudar de rumos quem sabe seja uma saída razoável. Mas isso também pode ser praticado pelo prefeito Fabrício e seus seguidores, igualando os propósitos. Mudar os rumos da administração, aliás, corrigir erros e repensar estratégias e projetos é uma ideia que o próprio Carlos Humberto defendeu em entrevista exclusiva neste site. A mesma coisa deve ser cogitada por Piriquito, no lado oposto, se quiser ter alguma chance de continuar politicando. Antes, precisa depurar o MDB local, cujas contradições internas são marcantes.