A política da raiva e da retaliação: não aprenderam ainda?

No tempo inteiro os candidatos cometem erros atrás de erros nas suas mensagens postadas nas mídias sociais e nos programas eleitorais. O pior deles é a insistência com ataques sistemáticos aos adversários. Pior ainda: ataques sobre um mesmo tema, no mais das vezes ruim, de efeito reverso, como as acusações de Gelson Merísio, tentando imputar imoralidade e ilegalidade nos vencimentos do Comandante Moisés, coronel da reserva remunerada do Corpo de Bombeiros Militar de SC, após 30 anos de efetivo serviço. Aqui basta compulsar informações do portal da transparência da Alesc e se verá os absurdos gastos do deputado Merísio em remuneração, diárias e outros benefícios pendurados, como os gastos de gabinete. Num caso, o Comandante Moisés, se trata de um profissional com efetivos e bem prestados serviços; no outro, o deputado Merísio, privilégios que bem poderiam ser reduzidos ou até evitados, em nome do que ele e sua turma costumam chamar de moralidade. Pior ainda: repetir o mesmo programa com os mesmos ataques por dias e dias. Os marqueteiros e o bom senso político estão em decadência. Se for para comparar, é um vexame. 

Doutra parte, na esfera nacional, o PT e Haddad repetem erros de linguagem e postura, atacando ferozmente ao candidato Bolsonaro, lançando desafios infantis para que ele comparece a debates, como se isso fosse o suprassumo da importância. Debates só favorecem quem está por baixo. Por estratégia, nem por conselho médico, Bolsonaro não deve ir. Perderá nada. No primeiro turno, Bolsonaro só foi em um debate. Nos demais, todos foram, menos ele. Nada se viu de mais proveitoso, até pelo contrário. O resultado foi demonstrado na votação final: os mais ferozes debatedores, inclusive aqueles que, fora dos debates, tiveram mais dinheiro à disposição e mais tempo de televisão na propaganda "gratuita", foram os menos votados. Melhor: foram ridiculamente votados. Ou seja: influência zero. As razões foram diversas: a tendência de mudança, onda avassaladora que tomou conta do eleitorado; a repetição de mesmices e de lideranças carcomidas pelo tempo; a má utilização flagrante dos espaços; a linguagem inapropriada. Incrível perceber que, neste segundo turno, tudo está sendo feito do mesmo modo. Exceção, quem sabe, da mudança radical da cenografia e dos motes petistas: mudaram a cor da logo de campanha, tiraram o Lula da propaganda (até o escondem), alteraram partes do programa de governo, excluíram postagens de suas páginas, e, sendo notórios ateus, resolveram adotar o falso clima cristão (Deus castiga, viu) indo a uma missa e comungando. Abusaram do estigma de falsidade. 

Esta eleição, no primeiro turno, já mostrou uma realidade: o povo quer mudar. E renega a esquerda até a medula. Por isso seus líderes mais renomados comeram poeira: Suplicy, Dilma, Lindberg, Vanessa Grazziotin, Requião e o próprio Lula, cujo nome já não é mais o que ele pensa ser. Ou pensava. Perderem pra um sujeito que nem saiu de casa para fazer campanha. Pra arrematar, elegeram-se com as mais estupendas votações de todos os tempos no Brasil os adeptos de Bolsonaro, como a jornalista Joice Hasselmann e a advogada Janaina Paschoal, além dos filhos do próprio Bolsonaro, campeões absolutos de votos em todos os tempos. Se isto não serviu como alerta e como realidade, é porque os esquerdistas são cegos, ingênuos ou simplesmente burros. Precisam reconhecer que o fenômeno Bolsonaro, com o PSL, partido nanico a tiracolo, não nasceu sozinho, mas dos malfeitos e das manobras erradas da esquerda, o PT em particular, que insistiram na retaliação como norma de conduta. O povo, definitivamente, cansou disso.