Vitória de Bolsonaro e a tola mensagem do derrotado

Eleito Bolsonaro, cessa tudo o que a antiga musa canta, porque um valor mais alto se alevanta.

A mudança foi radical e inédita na política brasileira. Caíram todos os paradigmas: poder partidário, coligações poderosas, recursos financeiros de campanha, tempo de propaganda eleitoral no rádio e televisão, nomes famosos e os deuses imbatíveis, como Lula.

Bolsonaro surgiu do nada. Assim como, em SC, o Comandante Moisés, que antes do lançamento do seu nome ninguém, rigorosamente, conhecia. Nem nunca tinha ouvido falar. Nem vereador foi. Nada. Bolsonaro é um deputado do chamado "baixo clero" no Congresso. Sem expressão maior. Apenas, por suas posições polêmicas e suas declarações fortes, conseguiu espaços vitais nas mídias convencionais.

No meio de sua campanha, mostrou-se inflexível e nada do que se jogava contra ele pegou. Pelo contrário, a cada dia o seu poderio aumentava. Porque, simplesmente, o atacavam naquilo em que ele é mais forte - justamente a sua retórica ideológica.

Esses paradigmas são marcados também pela difusão de uma nova realidade, a das mídias sociais. Que ninguém conseguiu mesurar em seu poderio. Nem quem soube usar - Bolsonaro - e nem os demais. Na realidade, houve uma falha forte dos marqueteiros. Elitizaram campanhas - o que, hoje, já não resolve. Ficou comprovado.

Lamentável o final da campanha: enquanto presidente eleito fez um pronunciamento correto, de estadista, definindo linhas gerais de seu mandato, o candidato derrotado, Fernando Haddad, fez um discurso rancoroso, reeditando citações como o "golpe" contra Dilma, a "prisão injusta" de Lula e o perfil ideológico radical. Só "esqueceu" de cumprir um ritual normal: cumprimentar o eleito. Deu a entender, de forma tola, que não absorveu a derrota, uma mágoa indisfarçável e um descaso pela lógica: uns perdem e outros vencem. Ele perdeu. Só isso. Parece, pelas suas declarações, que a campanha continua e ainda há um terceiro turno.