Os horrores do trânsito na BR-101

Qualquer cidadão que intente circular na BR-101 em horários de pico ou em feriadões - sem falar na temporada que aí vem -, sentirá na pele o sufoco de intermináveis e gigantescos gargalos e travamentos da rodovia em vários pontos, mormente naqueles de entrada e saída de cidades turísticas, como Balneário Camboriú, Itapema/Bombinhas/Porto Belo, Florianópolis e outras. Uma das causas é a ausência de alternativas de tráfego, como vias marginais adequadas e respectivas travessias de rios, como em Itajaí e Balneário Camboriú. 

Sem falarmos, claro, na pressão do trânsito, já insuportável, dentro das próprias cidades, suas entradas e saídas. No caso de Balneário Camboriú e Florianópolis, já não mais em ocasiões específicas, mas diariamente. Florianópolis é um terror pra entrar e sair em qualquer horário. Em Balneário Camboriú, os horários de entrada e saída de comércio são um tormento dentro da cidade e nas passagens sob a rodovia federal. Tranca tudo, literalmente. Menos mal que na Avenida das Flores há um sinal eletrônico para controlar, democratizando a passagem. Mas nos demais túneis a tranqueira é descontrolada, exigindo a presença de agentes de trânsito. Isto em horários padrão, mas nos últimos dias, dependendo da circulação, complica em qualquer horário. É urgente, além de concluir as marginais e suas pontes, também alargar os túneis, ordenando a circulação ou criar outra opção, como a implantação de sinaleiras. De nada adiantará ampliar faixas urbanas em Balneário ou em Camboriú. O sufoco é nas passagens, pra um lado ou pra outro.

Mas neste aspecto o que se vê, até aqui, é a voz isolada e autorizada do engenheiro Auri Pavoni, berrando sobre o tema, enquanto instituições como Amfri, Parlaamfri, no geral, e no particular Câmaras e Prefeituras calados ou perdidos num cipoal de silêncios. É preciso uma união a fim de gerar pressões, buscando o apoio de nossos precários representantes legislativos do Estado e do Congresso, inclusive agora com um pouco mais de força pela nova eleição.

O ideal seria mudar o trajeto da BR-101 para fora do perímetro das cidades, como se fez em Araranguá e como se está projetando para Florianópolis (e está difícil). Tirar daqui a pista da BR-101 traria vários benefícios: os riscos, o engarrafamento, a segurança e imporia até uma solução interessante, pois a atual pista serviria de uma avenida urbana de desafogo entre as cidades, para trânsito mais pesado, com as marginais ficando para tráfego leve.

Este caso do trânsito da BR e suas consequências nos conduz à imaginação de que as nossas autoridades são miudeiras por excelências, episódicas por vocação - pois só tratam de miudezas aqui e ali, buscando soluções parciais, o micro e não o macro. Viva o Auri Pavoni.