A poluição principal da praia pode não ser daqui

Na entrevista-reportagem concedida aqui pelo oceanógrafo Fernando Diehl, da Univali, afirmou ele ser desconhecida a causa ou as causas reais - podem ser uma ou várias ao mesmo tempo - do fenômeno de briozoários e diatomáceas eclodidos na orla de Balneário Camboriú. Segundo ele, há um ambiente propício na praia para a arribação desses animais e sua permanência aqui.

Ainda segundo ele, um estudo sobre essas causas devem ser realizados a fim de se encontrar a solução ideal para combatê-las. Ou isso ou a praia poderá ficar comprometida por muito tempo. Anos talvez.

Segundo Diehl, uma das causas dos briozoários foi o aterro do mar na Barra Sul com sedimentos retirados do fundo do rio Camboriú sem qualquer análise ou estudo. Aquela ação gerou um desequilíbrio importante na vida marinha e deflagrou muito do que está hoje acontecendo desde 2004. Mas não é o principal. Como o que sai do Canal Marambaia também não é causa de tudo, no entendimento do oceanógrafo. A isso se soma a hipótese de cascos de navio estarem liberando essa carga também para a nossa praia.

Agora surge uma informação a ser confirmada quem sabe pelo próprio Diehl ou outro especialista da área e que pode ser causa desses fenômenos em Balneário Camboriú. A informação é de um técnico cujo nome preservaremos, até porque ele não acusa nada e nem ninguem, apenas sugeriu uma possibilidade.

Para ele, a contribuição de carga orgânica do Canal Marambaia jogada ao mar é de 18 liltros por segundo, enquanto a do Rio Camboriú (com esgoto nele depositado por Camboriú) é de 3,8 mil litros por segundo. Mas a carga orgânica jogada na orla pelo Rio Itajaí (ao longo do qual há dezenas de cidades jogando esgoto direto nele, pois não possuem tratamento) é de mais de 200 mil litros por segundo. Carga que entra na corrente marítima e, de acordo com o movimento do mar, pode estar caindo na enseada de Balneário Camboriú. Isso assusta porque, se for assim, inexiste remédio de médio prazo. Resumidamente, pode-se regular os despejos na cidade e a contaminação continuará. A situação, sendo confirmada, é muito grave.