O choque de egos dentre os detentores do poder político renovado

Quem sabe a euforia de uma vitória estrondosa e inesperada esteja afetando os sentimentos dos vencedores em SC. Todos os dias surgem notícias de posturas contraditórias entre os membros do PSL, inclusive e principalmente os eleitos, insatisfeitos com nomeações, indicações, manifestações e movimentos no xadrez institucional. Nem o presidente do partido escapou, com sua performance excelente na eleição em disputa do Senado e a natural liderança do partido. Parece, salvo engano, que Lucas Esmeraldino esteja se perdendo no meio do caminho entre ser líder e ser chefe. Mesmo entre parlamentares há uma guerra fratricida por poder, colocando na berlinda o próprio governador Carlos Moises, a ponto de obrigá-lo a desistir de nomeações já formalizadas, como no caso da Santur. 

Credite-se, talvez, a um deslumbramento ou um excesso de zelo pelo que chamam de renovação. Mesmo assim, já buscando proximidades com os partidos tradicionais e políticos de fora do partido vencedor, o novo governo abre mão de uma plenitude renovadora para ser pragmático. Em nome do que se pode chamar de "governabilidade". Acontece aqui e em Brasília. Mas tudo dentre das previsões: o trem está andando muito rápido. O episódio canhestro de Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil de Bolsonaro, ao demitir todos os funcionários comissionados da pasta ao entrar (em nome do que chamou de "despetização") é típico: acabou ficando sem ninguém para fazer o serviço burocrático formal e a repartição simplesmente parou. Nem cafezinho chegava mais ao destino.

Sobre Carlos Moises, o novo governador, há opiniões que podem ser consideradas: nem ele esperava tal vitória. Seu comportamento é modesto, até por não ter os vícios e malandragens da política tradicional. Evita entrar em conflitos internos e públicos, nem entrevistas gosta de dar. Num ponto é satisfatório: repassa responsabilidade de dizer aos seus assessores. Depois, se necessário, desfaz. E isto é um fato: a última palavra é do comandante. Literalmente. O comandante não vai à frente de batalha. O primeiro combate é sempre do subalterno. E a sua imagem - como do presidente ou do prefeito - precisa estar preservada de ônus críticos, tanto quanto possível.

Resumindo, Moises ainda está tateando no corredor escuro, tentando encontrar o interruptor da luz. Porque não é tão simples um cidadão, militar de carreira, sem qualquer passagem por cargos políticos ou da administração pública - exceto comando de soldados bombeiros em funções muito específicas e determinadas por regulamento disciplinar e legal rígido -, mas ele precisa encontrar o chão. Continuar a procura.

Afinal, ele é bombeiro, especialista em apagar incêndios e atender sinistros de outras espécies. Mas política é algo um pouco mais complicado do que isto. Não basta levantar o cajado.