Balneabilidade, de conflitos analíticos para uma necessária harmonia

Longa discussão sobre a balneabilidade, buscando causas e responsabilidades será inútil enquanto uma decisão consorciada entre todos os setores responsáveis, privados e públicos, não for adotada. Como está é um emaranhado de teses e antíteses, palavras vazias, politizações, tentativas de jogar culpas pra lá e pra cá, até análises conflitantes entre si – as do IMA, sob um critério, e a da prefeitura, sob outro, com resultados diametralmente opostos (as do IMA com impropriedades e as da prefeituras com propriedades da baneabilidade) - mas de prático nada se conclui.  E se demorar muito, teremos multiplicação de problemas, quem sabe em escala geométrica, tornando irreversível uma situação que pode liquidar a praia (vide vídeo anexo da opinião do oceanógrafo Fernando Diehl). Não basta, apenas, para sermos pragmáticos, o IMA dizer que é e a prefeitura dizer que não é.

Mesmo porque, na real, oficialmente, e para efeito externo geral, prevalecem as do IMA. É o que vai para a imprensa estadual. Via de consequência, para a imprensa nacional, pois o critério é único para todas as praias, sob os ditames estabelecidos na Resolução Conama 274/2000.

CLASSIFICAÇÃO DO PONTO CONFORME RESOLUÇÃO CONAMA nº 274/2000:

Próprio:

Quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras coletadas nas últimas 5 semanas anteriores, no mesmo local houver no máximo 800 Escherichia coli por 100 mililitros.

Impróprio:

Quando em mais de 20% de um conjunto de amostras coletadas nas últimas 5 semanas anteriores, no mesmo local, for superior a 800 Escherichia coli por 100 mililitros ou quando, na última coleta, o resultado for superior a 2000 Escherichia coli por 100 mililitros.

Por essas regras da Resolução Conama, se o ponto estiver negativo em cerca de 2400 escherichia coli, as próximas duas análises no mesmo local serão negativas, embora a contaminação possa ser de 10 escherichia – ou seja, balneável. Mas ela continuará imprópria, mesmo estando própria.

E algo questionável é fazer análises num dia de muita chuva, sabendo antecipadamente que o resultado será negativo. E como a divulgação do resultado se dará apenas três dias depois, seus dados estarão desatualizados ou até inválidos. No entanto, o efeito negativo prevalecerá. Essa é uma distorção da realidade. Tanto quanto coletar num dia ensolarado e divulgar num dia de chuva. O inverso também é verdadeiro.

Aqui as duas últimas análises do IMA:

Aqui as análises realizadas por laboratório especializado e autorizado, contratado pela prefeitura:

Há que se questionar, sem duvidar da honestidade das análises, os critérios da Resolução Conama. Com exceção se o IMA, tanto quanto a prefeitura, fizer análises diárias.

De qualquer forma, vamos ao início: é preciso harmonizar o procedimento e unificar os critérios. Quem sabe combinando com o IMA a divulgação também das análises da prefeitura, eis que ela muda a realidade. Mas será isso possível, já que cria um nítido conflito de competência?

As constantes manchas escuras, decorrentes de algas de vários tipos que aportam na orla de Balneário Camboriú, estão explicadas pelo oceanógrafo Fernando Diehl. Para ele, o processo vem de tempo e piorando. Se não forem adotadas medidas corretivas, pode piorar e comprometer a praia em definitivo ou, pelo menos, em escala de solução complicada e demorada.