Uma nova rede de esgoto supõe ampliação feroz do tratamento

A obra projetada de um segundo emissário de esgoto a partir do Pontal Norte é indiscutivelmente necessária e oportuna. Em andamento, vai ampliar capacidade de fluxo de dejetos para a ETE do Bairro Nova Esperança.

Agora, o governo municipal anuncia a ampliação da rede de esgotos – já ampliada a quase todos os quadrantes da cidade – de modo a garantir atendimento a 700 mil moradores. Conhecer esses dados seria importante para uma avaliação mais completa dos efeitos, que se pretendem sejam saneadores. A cidade precisa e quer.

Todavia, sem a ampliação da capacidade de tratamento fica difícil entender como isso funcionará. Dar novo dimensionamento à rede de coleta sem um paralelo dimensionamento do sistema de tratamento, já hoje praticamente insuficiente na alta temporada, apesar da boa capacidade, é inútil.

A Emasa, no caso, precisaria de no mínimo cinco decantadores funcionando a pleno vapor. E olhe lá.

Mas não é só: sabe-se, por dados da própria Emasa, que a rede, de 1982, está sucateada em bons trechos e é precária em pontos importantes do centrão da cidade. Ninguém sabe como está essa parte da rede no subsolo. Velha é. Carece saber se está comprometida pelo volume, se está obstruída em muitos pontos e em que pontos isto ocorre. Sabe-se apenas que o problema é real.

Lá no início, quando a Casan saiu e a Emasa entrou (2005), houve alguns episódios lamentáveis, prejudicando a cidade: a empresa estadual, de birra e raiva por ter perdido a concessão, sumiu com todos os mapas da rede de esgoto e água (não só com os mapas, mas também com peças de reposição de emergência, inclusive tubulações estocadas na sede) – tornando impossível saber sequer onde estavam os poços de visita ou as bocas de lobo. Parte deles soterrados em locais não sabidos por sucessivas intervenções no leito das ruas. A Vila Real e Bairro dos Municípios, por exemplo, a qualquer rompimento de rede de água ficavam sem água por tempos indeterminados, pois não havia segmentação para manobras de desligamento apenas das partes abrangidas pela necessidade de reparos na rede. Então se desligava tudo.

Quanto à ampliação da rede de coleta, há outros aspectos: além da expansão da capacidade de tratamento da ETE, há que se redimensionar a capacidade das Estações Elevatórias. A localizada no Pontal Norte, ao lado do antigo Metrô, por exemplo, foi implantada para atender 10 mil pessoas. Hoje, em “tempos de paz”, trabalha para 40 mil. Na temporada, para 100 mil. Não há sistema de coleta que resista. Resultado: os extravasores operam quase em tempo real, jogando esgoto in natura adivinha onde?

A rede, hoje, é conhecida, mas é impossível saber do seu estado de conservação. Só abrindo tudo e verificando. Já se imaginou a consequência disso?