Volta, Maraschin

Muitos comentários e compartilhamentos em uma matéria de um site de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR), com notória intenção de denegrir a cidade, à guisa de criticar a administração municipal. O conteúdo e sua forma são grosseiros ao extremo, de um primarismo assustador. O pretenso conteúdo não está assentado em nada, apenas afirmações ao léu, suposições do articulista – cujos vínculos com a publicação são inexistentes, pois o nome dele está fora do expediente da página (LEIA AQUI A MATÉRIA).

A grosseria e o primarismo estão na forma adjetiva menor e nas comparações da personalidade do atual prefeito, demonstrando uma intenção apenas do insulto pelo insulto. Depois, faz uma comparação com o ex-prefeito Piriquito. E aí fica evidenciado, meridianamente claro, qual o objetivo. O alvo é político-eleitoreiro. No mais, a matéria nada acrescenta, exceto pela grosseria inaudita e danosa à cidade.

Sem entrar mais fundo na análise da matéria, afinal de sentido chulo por excelência, numa coisa, porém, tem razão, apesar de certo exagero: nossa cidade está tomada por moradores de rua e mendigos. Apesar de ações que, dizem, são adotadas pela Secretaria da Inclusão Social. Aliás, esta verdade pode ser confirmada por qualquer cidadão, com isenção – desde que tenha olhos para ver. Nunca foi assim (e isto já revelamos em outras publicações, aqui mesmo e em outras mídias de nossa lavra). Ao ponto, inclusive – e isto também nunca foi assim – de moradores de rua encontrados em Florianópolis acusarem a Secretaria de Inclusão Social de “deportá-los” na calada da madrugada para a Capital. Simplório demais.

Interessante traçar um divisor nas ações da Secretaria de Inclusão Social: falta alguém, ali, de linha de frente, realmente envolvido e decisivo. E aí dá saudade do Luiz Maraschin. O trabalho de inegável valor de Maraschin deu resultados positivos enquanto ele lá esteve. Saiu, degringolou. E isto é sintomático e revelador da diferença entre a atividade de quem sabe e faz de maneira competente o seu trabalho, como fez Maraschin em todas as suas gestões na Inclusão Social.

Nessa situação de moradores de rua e mendigos, há o fator social e humanístico a ser enfrentado. É realidade. E neste caso parece enxugamento de gelo apenas recolhê-los, dar-lhes banho, alimentá-los e financiar as passagens no retorno às suas origens. Isso se repete (basta olhar dados estatísticos da própria secretaria) como um moto perpétuo. Eles vão e voltam. Alguns são da própria cidade, abandonados pela família ou sem estrutura para sobreviver dignamente. E alguns são donos de fichas policiais. É preciso enquadrar a família, quem sabe – até para ajudá-las na recuperação do familiar. Este seria um projeto positivo.

Qual o projeto para dar essência a isto? Uma das possibilidades seria recorrer, inclusive judicialmente, à responsabilidade dos municípios de origem, os quais têm a obrigação de encaminhá-los e não transferir a causa para outros. Pois assim como Florianópolis acusou Balneário de “higienizar” a cidade mandando pra lá esses moradores de rua e mendigos, igualmente outras cidades também podem ser questionadas a este respeito.

Volta, Maraschin. Pelo menos no seu tempo não havia esta leniência extrema de deixar pra lá uma situação que, se não tratar com persistência diária, ainda renderá muitas críticas lá fora e aqui dentro.

O melhor meio de evitar críticas é evitar ou minimizar os motivos.