Sucessão em BC: Fabrício x Fabrício

Necessário, em qualquer análise, começar levantando o histórico das duas últimas eleições na cidade: a municipal e a estadual. Seus números mostram os potenciais dos nomes possíveis de entrar na sucessão administrativa da cidade. Na municipal, em 2016, os números foram claros sobre o potencial dos grupos e nomes. Na estadual, em 2018, esse potencial se mostrou num ângulo diferente, mas a votação na cidade dos nomes mais açodados em lançar-se mostrou um sintoma interessante: o poderio está com o dono do poder, o prefeito Fabrício Oliveira. O mais votado para a Câmara Federal foi Lucas Gotardo, aliado do prefeito, com gasto praticamente zero na campanha. Para a Assembleia, a disputa acirrada de votos entre Piriquito e Carlos Humberto. No fim, um quase empate (10.871 x 10.305, na cidade - No geral 24.610 (Carlos Humberto, primeiro suplente) e 20.063 (Piriquito, 13º suplente)). Outros opositores gastaram muito e receberam menos votos.

Considerando-se o apoio ostensivo do prefeito a Carlos Humberto e a figura de oposição clara que exerceu Piriquito, isto assinala um quadro futuro. O poder influencia exponencialmente.

Mesmo assim, em função da análise das eleições passadas, pode-se dizer existir um caminho marcado, a priori. Isso, porém, não anula alguns fatores, positivos e negativos para todos. As oposições podem crescer, mas com uma articulação bem feita. Só no berreiro não resolverão nada.

Enquanto isso, segue seu caminho o prefeito Fabrício Oliveira, por enquanto adversário dele mesmo. Seu governo é alvo de críticas por várias razões e por nenhuma. Política e eleição é assim mesmo. Se estiver no poder, entra na mira. Vide o cenário nacional atual. Nota-se uma certa frieza no comportamento do prefeito. Ele precisa parecer um pretendente à reeleição. E precisa forjar uma estrutura para isto. Comunicar bem é uma das partes importantes dessa estrutura. A outra é eliminar resquícios de uma certa selvageria dentro da prefeitura - selvageria marcada por dissonâncias e felonias explícitas de gente que está no governo por ter integrado a equipe que participou da vitória em 2016, mas que desvirtuaram e desvirtuam o sentido da administração proposta, preferindo acirrar disputas pessoais internas e externas, a ponto, por exemplo, de estimular atritos com o vice-prefeito, companheiro leal de primeira hora e até agora mantendo uma linha de forte parceria. Sem esquecer ter sido CH o principal financiador da campanha eleitoral. As substituições, remanejamentos e demissões de titulares de cargos tidos e havidos como vitais ao longo do tempo mostram bem o que se está falando aqui. Mas ainda falta alguém em Nuremberg. 

As últimas substituições mostram o despojamento exclusivamente político-partidário-ideológico do prefeito, o que é positivo. E mostra que o que estava no exercício não supria as necessidades. Ou supria mal. 

E tudo isso vai influir. Mesmo assim, é forçoso reconhecer que, neste momento, só há Fabrício na berlinda. O resto é incógnita. Porque no mesmo modo que o prefeito só perde para ele mesmo - se errar muito -, também é verdade que se qualquer um da oposição não souber capitalizar uma postura que o eleitor reconheça como viável, morre na casca e entrega a eleição de bandeja.