Alargamento da faixa de areia: que mais resolva do que cause

Os passos mais decisivos do processo de alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú foram atingidos pelo prefeito Fabrício Oliveira: a LAP (Licença Ambiental Prévia) e a alocação dos recursos iniciais (R$ 85 milhões), devidamente aprovados pela Câmara de Vereadores, mediante financiamento bancário a longo prazo.

Há quem, na oposição, encontre espaço para criticar a "demora" do cumprimento da promessa, assumida pelo prefeito desde o início de sua gestão, há pouco mais de dois anos. A memória histórica, contudo, fragiliza a crítica: há 30 anos, todos os prefeitos, todos reeleitos em seus mandatos, tinham como programa de governo o alargamento da faixa de areia da Praia Central. Por isso, em 2001, tivemos o plebiscito (discutido e discutível por sua expressão percentual de participação popular, mas não irregular e nem ilegal). Antes disso e depois, as discussões foram intensas, com repetidas manifestações sobre o assunto, parecendo, em muitos momentos, ser inevitável o seu início. E nesse tempo todo ficou só na conversa, com menor ou maior grau de interesse ou confiança. Não saiu e, cá pra nós, esteve sempre muito longe, pois carecia do essencial, justamente licença e recurso efetivo.

Sobre o futuro da praia, com o alargamento, ainda se discute e se discutirá muito, em meio a naturais objeções absurdas e outras nem tanto, seja no sentido da sua oportunidade, seja em relação às intervenções sociais e econômicas a se refletirem a partir da obra. 

De fato, a repaginação da orla, com criação de espaços esportivos e de lazer, além da "higienização" visual e abertura de novas formas de tráfego e segurança de pedestres, ciclistas e motoristas - como pista exclusiva para coletivos e pistas de atletismo e ciclovia exclusiva. A intenção anunciada é de reduzir drasticamente o número de quiosques, modernizando-os e também das famigeradas e inconvenientes (pelo seu excesso absurdo) tendas de churros e milhos, onde também se comercializa, sem controle, aluguéis de cadeiras e guarda-sóis, muitos de forma abusiva e invasiva, ante falhas permanentes de fiscalização.

Enfim, a cidade precisa mesmo de espaços para as pessoas, pois os possíveis foram ocupados por gigantes de concreto. A praia, assim, é a joia da coroa e precisa ser otimizada para isto. Até por ser a única alternativa para a composição desses espaços. O que se espera e confia é que não haja deturpação ao longo do tempo - tanto quanto houve noutros casos, como a definição dos gabaritos de construção civil. E, lá no passado remoto, o aterramento do Rio Camboriú e das lagoas centrais (já pensaram como seria a cidade se esses elementos naturais tivessem sido preservados incólumes e as construções tivessem surgido ao seu redor, com cuidados de preservação?).

Pode-se ter dúvidas quanto ao futuro da praia mediante o alargamento da faixa de areia. É natural. Nada que bons projetos factíveis e sérios não possam responder. Dúvidas sempre serão levantadas, qualquer que seja o projeto, dependendo, até, de onde venham. Principalmente se o projeto contrariar e confrontar outros interesses, de natureza econômica ou política. Cuja incidência, em qualquer lugar, é inevitável. 

De qualquer maneira, o alargamento é inevitável e ocorrerá, mais hoje, mais amanhã. Então que venha de maneira a resolver mais do que causar.