Água nas Praias Agrestes, um pioneirismo histórico

Água nas Praias Agrestes, um cheiro de pioneirismo histórico

Tal qual a histórica iniciativa de Miguel Matte, primeiro com um poço artesiano e depois com a criação da empresa Águas Cristalinas Matte Ltda., na década de 50, a chegada de água tratada nas Praias Agrestes é uma conquista e tanto. Começa pela Praia do Estaleiro, segundo anúncio do prefeito Fabrício Oliveira. É uma realidade palpável: o cadastramento dos moradores iniciou e depende disso dar-se definição à conquista importante.

A maratona burocrática da Emasa e da administração municipal para chegar aí é algo notável. Os licenciamentos ambientais são um parto complicado; depois, as interferências no trajeto, inclusive por sob a BR, com a chamada “intervenção não destrutiva”, com a passagem da tubulação sob o leito sem causar nenhum óbice na superfície – que não demanda apenas o serviço em si, mas as autorizações de ANTT e Autopista Litoral Sul. Essas discussões e a papelada consumiram um tempo incrível.

Essas autorizações ambientais influíram, também, no próprio trajeto das tubulações e na construção de reservatórios. Imagine-se o tempo disso. Às administrações coube ficar martelando em cima o tempo inteiro. Algumas administrações nem tentaram, a anterior de Fabrício até iniciou tudo, mas não conseguiu superar o tempo. Faltou um pouco de feeling político lá em cima, coisa que, parece, Fabrício conseguiu impor, após descobrir o caminho das pedras. Faltou um bocado de diplomacia lá atrás.

Pois agora, iniciando na Praia do Estaleiro, a jornada é decisiva: a água chegou. Depois o sistema avançará sobre Estaleirinho, Laranjeiras e Taquaras.

Por isso a gente relembra a saga de Miguel Matte, lá no longínquo período dos anos 50.

Até a década de 1950, as residências e pontos comerciais tinham como única fonte de abastecimento de água doce, precários poços artesianos. A água, muitas vezes, era inclusive imprópria para o consumo humano. Nesta época, o empresário Miguel Matte, proprietário do Hotel Balneário Camboriú, teve autorização da prefeitura para a construção de um poço semiartesiano. Por bombeamento, conduzia a água para um reservatório de 35 mil litros no Morro da Caixa D´água, onde hoje é a prefeitura. A rede abastecia apenas algumas casas, além do próprio Hotel Balneário Camboriú. Mais tarde, Miguel Matte e outros empresários criam a empresa “Águas Cristalinas Matte Ltda.”, ampliando a pequena rede de abastecimento. Nesse mesmo tempo, surge a empresa privada Águas Camboriú, abastecendo a parte norte da cidade, região compreendida hoje entre a Avenida Central e o Hotel Marambaia. Na década de 1960, após a emancipação político-administrativa, a Prefeitura de Balneário Camboriú adquiriu as empresas e criou o Departamento de Águas e Esgotos, executando melhorias no sistema, inclusive a captação de água no rio Camboriú, aduzindo água para o sistema existente. Logo após, na década de 1970, a Prefeitura firmou contrato de concessão por 30 anos com a CASAN, que passou a administrar os serviços de água e esgoto da cidade. Vencido o prazo, o contrato foi declarado encerrado pelo município. Em setembro de 2005, a Câmara de Vereadores aprovou a lei de criação da Empresa Municipal de Água e Saneamento – EMASA, sancionada e publicada em 31 de outubro do mesmo ano, data oficial da criação – e a prefeitura reassumiu o sistema de água e esgoto do município, com o objetivo de reinvestir em obras toda a arrecadação da autarquia. Até porque, até ali, os investimentos da Casan eram mínimos na manutenção do sistema. Tanto que Camboriú até hoje não tem um centímetro de rede de esgoto e as Praias Agrestes só agora começam a receber água e, logo após, virá a rede de captação e tratamento de esgoto. Na verdade, a arrecadação de Balneário Camboriú era direcionada para investimentos em cidades onde não havia recursos em outras regiões do Estado.

A implantação da rede de água nas Praias Agrestes é um resultado palpável dessa nova realidade: o dinheiro aplicado aqui. E bem aplicado.