Os poderes públicos são lerdos e ilógicos

É impressionante. Cogita-se pela impossibilidade de negociar com Camboriú a gestão do sistema de esgoto da cidade, num entendimento entre os prefeitos Fabrício Oliveira e Elcio Kuhnen. A vontade, demonstrada em encontro há tempos, seria a Emasa assumir o sistema de tratamento e a Águas de Camboriú implantar a rede. As discussões esbarraram na renitência dos vereadores de Camboriú, cujo sentimento sempre foi de Balneário estar de sacanagem com o município vizinho, minando a sua autonomia.

Antes disso, cogitou-se (até um decreto foi editado neste sentido) a formação de um lago de acumulação de água bruta na área das arrozeiras, cuja ocupação se daria por desapropriação. A mobilização dos arrozeiros frustrou a possibilidade, a ponto de ser revogado o decreto.

Isso evitaria o efeito das estiagens, quando o manancial se reduz bastante e há complicações. Também porque os arrozais precisam ser irrigados e, para isso, bloqueiam o rio causando impossibilidade de abastecimento regular da ERAB da Emasa. Isso implica em problemas de abastecimento não apenas a Balneário, mas igualmente a Camboriú. Inexiste harmonia e entendimento por mera recalcitrância. Nada se oferece e nada se cede. Porque vereadores e algumas forças de Camboriú acha que usar o “seu” rio é usurpação. Conhecem nada de leis e realidades.

Por isso, Balneário cogita buscar água bruta em outros mananciais, como o Itajaí Mirim, o Itajaí Açu ou o rio Tijucas. E isto é engraçado: faz anos e anos que se cogitou desta solução, com a construção de uma adutora ao longo da BR-101, área de domínio da Autopista Litoral Sul, a qual cogitou cobrança de aluguel do trecho, coisa de R$ 300 mil/ano, à época.

Aqui mesmo neste espaço teorizamos sobre isso ou a falência do sistema, a débâcle definitiva ou a exaustão. Agora, matéria da NSC levanta este problema – que é real. Se nada for feito, poderemos ficar sem abastecimento normal em pouco tempo.

Este é um dos problemas das gestões: as soluções são óbvias demais e ficam invisíveis, apenas porque não querem fazer e se acham mais realistas do que o rei. Claro que, para se buscar água de outros mananciais como os citados, há um caminho tortuoso e complicado a ser percorrido: a concessão da área por onde a rede passará, a aquisição de áreas para implantação da estação de recalque, a outorga para retirar a água e as famigeradas e sempre irritantes licenças ambientais. Nesses casos todos, não se espere nada abaixo de cinco anos, talvez mais, prazo cogitado para começarmos a ter regressões no sistema, com efeitos imprevisíveis.

Esta é uma solução para muitos anos, se concretizada. Já poderia estar executada e funcionando, mas em administração pública a racionalidade, a lógica e as obviedades não funcionam muito bem.