As soluções complicadas e demoradas e a superação esperada

Os encaminhamentos sobre obras de interesse de Balneário Camboriú demoram demais e se mostram complicados demais. Qualquer intervenção necessária do município na área de domínio da BR-101, por exemplo, ainda que absolutamente essencial à mobilidade urbana, como as marginais e os túneis – mesmo um simples ajardinamento lateral -, ou a passagem de tubulações sobre a rodovia, de esgoto ou água, com método não destrutivo, demanda mil conversas, reuniões, ofícios, viagens, projetos, exigências e às vezes proibições absurdas.

O episódio simples dos estacionamentos nas marginais, com benefício econômico aos comerciantes exigiu dezenas de confabulações - e ainda não está resolvido por completo. Centro de Eventos está igual parto de égua. E vai mais longe ainda. Falta o principal - viabilidade econômica, gestão, sistema de ar condicionado, sistema elétrico, divisórias, pra citar o mais fundamental. A mera abertura já custará algo em torno de R$ 300 mil por mês em sua manutenção, incluindo pessoal responsável por vigilância, limpeza, insumos, equipamentos, etc.

Levamos mais de dez anos para concluir o óbvio - ou materializar o óbvio: a cidade não sobreviverá sem uma nova captação de água. Desde quando a Casan saiu, em 2005, fala-se em outra captação. Inventaram um monte de alternativas malucas, como construir barragens na nascente do Rio Camboriú ou mesmo agora, inundar as arrozeiras de Camboriú para implantar um reservatório de água bruta. Isto resolveria a falta de água para abastecimento, mas não resolveria o abastecimento em si, em termos de oferta futura. Ou seja: o tratamento e sua capacidade não mudariam nada.

Agora citam a possibilidade de buscar água do Itajaí Mirim, Itajaí Açu ou Tijucas como saída “genial”. Pois que não fiquem no papo. Vão ter que fazer ou, como dissemos, haverá problemas em não muito tempo. Também há que se ampliar a capacidade de armazenamento de água tratada. O atual volume, de cerca de 15/16 milhões de litros, garante meio dia de abastecimento em "tempo de paz" (fora da temporada), se romper uma adutora ou o sistema degringolar por qualquer outra razão. Na temporada, daria para umas três horas. Triplicar seria de bom alvitre e já. Quem sabe, em paralelo, estimular (e até a Emasa financiar a preço de banana) a reservação domiciliar em quantidades razoáveis. Quem não tem reservatório, ganharia. Quem tem em menor capacidade, ganharia um maior, dependendo de quantas pessoas morem nas unidades de consumo. Construir cisternas, em acordo com moradores, em regiões mais afastadas - ou mesmo centrais -, com motores de pressão para conduzir a água até as moradias seria outro programa, mais barato, para subsidiar o sistema. Em terrenos dos próprios moradores, cedidos por comodato ou até por parceria. Porque construir reservatórios públicos é solução, mas pode ser caro e complicado, por causa de licenças ambientais e o custo proibitivo de terrenos, além de falta de áreas disponíveis, em muitos casos.

Soluções, em verdade, tem às pilhas, se não complicar inventando fórmulas, como no caso do Canal Marambaia, onde investiram inutilmente na sua dragagem, com resultados desastrosos. Depois, cogitou-se de uma UTR (Unidade de Tratamento de Rio), solução paliativa e parcial – a um custo de R$ 12 milhões ou mais. Depois de baterem cabeça por um ano, resolveram o lógico: vistoriar e punir os despejos irregulares, pois é aí que começam e terminam os problemas do canal e, de fato, do restante da cidade. Resultados, aliás, só pra provar que é a medida certa – estão aparecendo. Devagar, mas estão.

Citam-se essas situações a fim de demonstrar a movimentação muitas vezes sem sentido da administração (não da atual, especificamente, mas de todas), que teorizam uma coisa e fazem outra ou apenas optam pelo mais complicado, com pouco ou nenhum planejamento ou critério técnico.