Nova captação de água: cogitação velha, mas adequada

A Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), publicou Aviso de Licitação para a contratação de empresa de engenharia para elaboração de revisão do Projeto Básico para captação e adução de água bruta do Rio Itajaí Mirim. O projeto prevê a captação à montante da barragem de contenção da cunha salina existente no Rio, até a Estação de Tratamento de Água (ETA) da Emasa.

O projeto foi feito em 2007 e de acordo com o diretor técnico, Sérgio Juk, é necessário depois de mais de 10 anos fazer uma atualização de conceitos e valores. “Fizemos uma análise no referido projeto e constatamos algumas inconsistências técnicas e desatualização, por isso, decidimos contratar o reestudo”.

Segundo o diretor Geral, Douglas Costa Beber, é importante ter opções a curto, médio e longo prazo na questão do abastecimento de água em Balneário Camboriú, para avaliar as medidas que serão tomadas. “Já temos o projeto do Parque Inundável, iremos reavaliar esse de captação do Rio Itajaí Mirim e a possibilidade de iniciarmos uma discussão sobre reuso da água e dessalinização da água do mar. Esse é um pedido do prefeito Fabrício Oliveira, para que possamos avançar nesse tema que tanto nos aflige – a água”, completou Douglas.

O Pregão Presencial Nº 20/2019, com tipo de licitação: Menor Preço Global, tem o valor estimado em R$ 31.150,00 e terá a entrega e abertura dos envelopes com as propostas no dia 17 de maio de 2019, às 14h, na sede da Emasa – 4ª Avenida, 250, Centro. O edital completo pode ser retirado no site da Autarquia, em Licitações: http://www.emasa.com.br/licitacoes. Essa licitação é de participação exclusiva para Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), de acordo com a Lei Complementar Nº 123/2006 e Decreto Municipal Nº 8.981/2018.

Edital no anexo da notícia.

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O detalhe é seguinte: o projeto tem 12 anos de permanência nas gavetas da Emasa (2007), como está dito na matéria acima, da assessoria da empresa. De lá pra cá, discutiram-se mil teses de resolução do impasse de desabastecimento que um dia virá se nada for feito. E sabe-se que esperar mais do Rio Camboriú é temerário. Ele não dará conta do recado e vai colapsar em pouco tempo, pois a necessidade de captação e tratamento se amplia a cada dia mais. 

Não foi por falta de aviso. Em 27 de dezembro de 2017, numa das fases de discussão, falamos neste site sobre isso (ACESSE E LEIA A MATÉRIA CLICANDO AQUI). Mas não foi só. Há outras matérias anteriores em que falamos sobre o assunto, louvando a possível captação do rio Itajaí Mirim como solução para a cidade. Quem sabe com uma nova ETA, dividindo o abastecimento por áreas e garantindo a subsistência do sistem por décadas. Não deram a mínima e até alguns ridicularizaram, dizendo que era "caro demais" e inviável - a começar pelo aluguel da faixa lateral de BR-101, por onde a tubulação passaria, coisa de R$ 300 mil por ano, devidos à Autopista, concessionária da rodovia.

Há 12 anos faz-se silêncio, no meio de invenções esdrúxulas sobre como resolver a questão. Agora despertam, quando a corda aperta no pescoço. É lamentável, mas antes tarde do que nunca. A razão um dia aparece. 

Quanto ao reuso da água é uma coisa até simples, dependendo da conscientização e de investimentos no lugar e no momento certo. Admira-se que ainda não seja uma realidade, até barata, por aqui.

Entretanto, a possibilidade de dessalinização da água do mar - tida e havida como saída em vários países e lugares mais evoluídos - é cara. Se reclamam do preço da água pelos processos atuais, experimentem consumir uma água captada por um sistema caríssimo, embora eficiente. 

Enfim, há um momento de lucidez. Tardia, mas lucidez.