Vereadores: demandas importantes, soluções difusas (algumas inúteis)

Vereadores de Camboriú reuniram-se com representantes da Autopista Litoral Sul, apresentando postulações populares em relação às entradas e saídas da cidade. 

Antônio César Sass, Diretor Operacional da Autopista Litoral Sul, comentou que estão previstos até R$ 2,7 bilhões de reais para investimentos em melhorias no trecho que corta Santa Catarina, porém, ainda dependem de autorizações e projetos para realizar as obras necessárias.

Colocam-se os vereadores numa posição correta e ao mesmo tempo frágil, se considerarmos o longuíssimo prazo a que se sujeitarão eventuais projetos de mudança nas rotas de entrada e saída de Camboriú ou de Balneário Camboriú. É o direito de pedir e a dura realidade de não levar. Pelo menos no tempo desejado. E se falarmos em demora, falamos de anos pela frente, mesmo porque, segundo disse o diretor operacional da Autopista, a visão da empresa é de todo o trecho concessionado em SC e há a dependência de autorizações e projeto. As velhas burocracias que nos jogarão numa quase letargia.

Há coisas muito parecidas noutras paragens da região. O vereador Marcelo Achutti (PP), por exemplo, está se digladiando há anos com sua campanha em favor de recursos do Estado para o Hospital Ruth Cardoso. Garante a mensagem, mas não o resultado. Pelo menos tem um mote político-eleitoral para alimentar seu mandato e sua eventual candidatura à reeeição. O Estado não cuida direito, nem com recursos e nem com logísticas, de seus próprios hospitais (há pelo menos um exemplo trágico: o Hospital Regional Deputado Afonso Ghizzo, de Araranguá, é estadual e vive aos trancos e barrancos, passando das mãos de uma ONG para outra, sem sucesso perene. Há outro exemplo: o Hospital de Biguaçu, igualzinho ao Ruth, vindo da mesma WFO e arquitetonicamente idêntico, também municipal - porém regionalizado e assumido pelo Estado - está dando murros em pontas de facas para sobreviver). Então dinheiro do Estado não virá. 

Essas chamadas "lutas" cívicas de vereadores daqui em favor de demandas de curso e finalização improvável causam perdas de tempo. 

Quanto à crise hospitalar há outros caminhos - o vocacionamento das unidades existentes na região é uma deles, já discutido por especialistas como o atual prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, quando presidente da Comissão de Saúde da Assembléia e pelo "susista" Celso Della Giustina, ex-secretário da Saúde de Itajaí, médico ortopedista e apaixonado por gestão hospitalar. Há outro: um entendimento entre os municípios usuários do Ruth Cardoso para contribuir com a sua manutenção, tentada outras vezes, inclusive via Amfri. Bateu na trave. Embora isto não resolva tudo, pois o Ruth é uma estrutura, como já se disse aqui mesmo, mal concebida, mal construída e mal formada, não deixando muitas alternativas para a sua resolução funcional. Basta pensar que, por ter apenas quartos conjugados, não pode, por exemplo, atender planos ou pacientes particulares. Teria que ter, no mínimo, uma nova ala, mas daí vem a outra discussão - a porta de entrada seria única ou separada? E as equipes de atendimento seriam separadas ou haveria uma única? E como controlar a preferência de acesso? Sabemos lá se isto é correto do ponto de vista médico, clínico ou operacional, mas é uma dúvida que dança na cabeça de todos.

Essas investidas de nossos vereadores nos lembram outras, como a do ex-vereador Orlando Angioletti ao manter sua campanha "Polícia na Rua Já" durante todo o tempo de seus mandatos. Foi correto e justo, mas infrutífero. Até hoje o efetivo não ganhou um só policial a mais. Pelo contrário, houve época em que decaímos muito nesse efetivo - e ironicamente num ano em que tínhamos um governador em pleno exercício de mandato, quando perdemos mais de 20 policiais (há números sobre isso). 

Ou lembra outra mais recente, dagora mesmo, do vereador Leonardo Piruka, também do PP, insistindo numa CPI do Ruth, sabendo que o seu resultado final pode ser antecipado para hoje, se ele quiser: mandar ao MP os dados que possui e permitir a abertura imediata de uma investigação a respeito, sem perder tempo com uma lenga-lenga de uma comissão de inquérito, que não resolverá nada e não diminuirá o sofrimento de ninguém. 

A Câmara de Balneário já produziu uma investigação sobre o Ruth, no tempo de Piriquito - sobre remédios e equipamentos. Resultado final zero. E também produziu uma CPI sobre o Hospital Santa Inês. Depois de meses de oitivas e audiências, concluíram que não havia tanta coisa assim para impor responsabilidades a alguém. Resultado final zero.

Quem tiver dúvidas, consulte os anais da Câmara. Está tudo lá.