Fabrício e o jeito de ser dele e de todos os prefeitos forjam o rosto da administração

As reações ao governo do prefeito Fabrício Oliveira, a partir de seus adversários de identificação clara, vão da indiferença à crítica contundente, passando pelas ironias em cima do slogan de campanha ("Novas Ideias"). As razões são iguais as de todos os outros prefeitos: deficiências do Hospital Ruth Cardoso, nomeações e desnomeações, fluxo e refluxo de apoios, jeito de apresentar-se no seu processo de comunicação pública.

Tudo isso se repete a cada administrador da cidade. É só compulsar historicamente este comportamento. Natural, pois o cidadão, independente do voto de oposição ou situação no prefeito, sempre encontrará motivos de crítica. Ainda se padrões de excelência se sobrepuserem às manifestações críticas. O processo funciona assim e inexiste modo de mudá-lo.

Os embustes da vida política reservam a qualquer ocupante méritos e deméritos, falsos ou verdadeiros. Pavimentar todas as ruas com qualificação superior gera menos efeitos, neste caso positivos, do que um buraco na frente da propriedade de um munícipe, cuja insatisfação vai às mídias sociais e à imprensa e, dependendo da repercussão oferecida, derruba tudo, tornando a exceção superior à regra.

Sempre se encontrará, num administrador, falhas de conceituação, promessas de campanha não cumpridas ou descumpridas, erros de atuação, mudanças de conceitos e objetivos - afinal a política é dinâmica e muda conforme os fatos e as realidades - e também as defecções de apoiadores, tanto quanto a adesão de antigos adversários.

Nenhum dos administradores ou agentes públicos, em qualquer nível, terá apoio integral ou oposição integral. E a repercussão disso vem em maior ou menor intensidade ao longo do tempo. Vai depender da capacidade ou técnica de comunicação - e não apenas de informação - a superação ou minoração dos efeitos disso tudo.

Bom lembrar: nem sempre boas e importantes obras, vitais até para a vida da cidade, são vertentes de simpatia ou apoio. Não raro, o afago pessoal, o agrado físico, a palavra simpática - enfim, a demagogia no seu estado mais puro - produzem muito mais retorno bom do que obras. Um político hábil - ou demagogo -, sabendo como lidar com os anseios do subconsciente do eleitor, permanece por muito tempo no alto das preferências e simpatias populares. Um dia a ficha cai, mas demora.

Citando um exemplo: a obra de saneamento básico da cidade, calcanhar de Aquiles de todas as administrações passadas, vem sendo construída com zelo e pertinácia pelo atual prefeito. Levar água e esgoto às Praias Agrestes foi um tento significativo, sabendo-se das idas e vindas anteriores, por razões várias e a principal delas os entraves burocráticos, financeiros e políticos dos licenciamentos. O aperto fiscalizador nos poluidores contumazes é um fator de bons presságios. O canal extravasor do esgoto produzido na região do Pontal Norte é outro, duplicando a capacidade de vazão e reduzindo os impactos negativos dos despejos quase inevitáveis no Marambaia.

A decisão sobre o Hospital Ruth Cardoso, de torná-lo apenas municipal de verdade, rompendo com atendimentos abertos, foi uma tacada corajosa e necessária e, apesar de adversidades e críticas, indubitavelmente correta. 

Administradores públicos são eleitos para decidir, embora muitas vezes sob pressão negativa - e não para agir pensando na próxima eleição.

Cada um dos prefeitos teve seu jeito próprio, singular, de ser e agir. Fabrício Oliveira tem o seu jeito. E todos tiveram suas virtudes e defeitos. É assim que é e é assim que sempre será. Cabe-nos a nós todos conviver com isso e compreender, sabendo discernir e julgar adequadamente.