ESGOTO E SANEAMENTO

A perda de tempo com discussões sem fim, ao longo do tempo, deixou Balneário Camboriú perdida em muitos pontos essenciais, como a preservação ambiental. Permitiu-se, com essa leniência, a imagem ruim da praia poluída e poluente. Sem contar a insuficiência de concretização de projetos de décadas, como as redes de coleta de esgoto e de abastecimento de água das Praias Agrestes ou a clara decisão de encerrar o drama da poluição causada pelo Canal Marambaia, ex-rio. Falou-se muito e fez-se pouco ou nada ao longo dos anos. E justo por isso chegamos onde chegamos, com dramas imensos vividos.

Percebeu-se muitos falando e poucos fazendo, mesmo aqueles que, em todos os momentos, ajudavam a disseminar as críticas e, no fundo, eram também causadores dos males - como os que jogavam esgoto na natureza e usavam - alguns ainda usam - errado o sistema, misturando o descarte de esgoto na rede pluvial com o descarte de água no esgoto ou apenas disfarçando sua obrigação de ligar-se à rede, pouco se importando com a consequência. 

Ao longo de muitas demagogias e incompetências, chegou a vez de fazer. Ou dizer e fazer. Ou fazer sem dizer. É conhecida a tese segundo a qual enterrar canos não dá voto, por esconderem dinheiro público bem aplicado. Melhor obra aparente. De tal modo que pintar meio fio produz mais voto, embora seja zero em proveito da cidade.

Há que se reconhecer a vontade do atual governo, através de suas iniciativas, muitas contestadas e criticadas, mas válidas. O molhe do Pontal Norte já está melhorando a condição do local quanto à balneabilidade, como demonstram as últimas análises - e isto é uma raridade sem discussão -, aliando-se ao fato de se estar gerando um novo equipamento turístico. 

O emissário em execução por dentro da galeria pluvial da Atlântica, destinado a suprir a demanda de esgoto produzido no Pontal Norte (hoje superada em muitas e muitas vezes desde o início da expansão demográfica de lá), vai ser decisivo. Uma ideia simples, relativamente barata para o padrão e sem causar grandes conflitos na mobilidade urbana.

A fiscalização das ligações clandestinas ou irregulares de esgoto está funcionando, com o programa Se Liga na Rede, criado pela Emasa na gestão anterior e acentuado nesta como manda o figurino. Identificando, notificando, cobrando providências e punindo quem não cumpre. 

O espelho fiel de tudo isso será reproduzido nesta temporada. Veremos como se comporta nossa orla. Mas se notarmos, já melhorou bem. Basta olhar e querer ver.