Falta de água: Camboriú reclama e joga culpas para o lado errado

Muitos protestos em Camboriú pela falta de água em muitos pontos da cidade e muitas críticas à Emasa e à cidade de Balneário Camboriú (?) que, segundo vozes populares, estaria consumindo água de mais e "deixando faltar" naquela cidade. Pode-se debitar os protestos ao desconforto de não ter água, mas fica um pouco irracional culpar BC e sua administração e sequer a própria Emasa. O racionamento é possível por causa da estiagem e do uso da água para irrigar as arrozeiras, quando há retenção do rio naquele ponto e a vazão se reduz para chegar à Estação de Recalque (ERAB). 

Voltam às velhas alegações do tipo "o rio é nosso", por demais cansativa. O rio e a outorga são estaduais e pronto. Lamenta-se muito o sofrimento pela falta de água, mas deveriam experimentar reclamar da sua própria prefeitura e da empresa Águas de Camboriú. Afinal, a decisão de administrar o fornecimento e abastecimento de água foi de Camboriú, há mais de 12 anos, embora a Emasa e o prefeito da época de Balneário, Rubens Spernau, tenham insistido numa gestão compartilhada da Emasa, com abastecimento único. Daí poderiam reclamar de verdade. Como Camboriú decidiu ter a gestão, houve o entendimento de um fornecimento exclusivo para lá, algo em torno de 20% da água tratada produzida, mediante pagamento, com adutoras e motores separados, até. O serviço jamais foi pago e a pendência ainda rola na Justiça. Só após a gestão da Águas de Camboriú é que se combinou o pagamento mensal, ainda assim com um preço privilegiado do metro cúbico.

O que Camboriú precisa é de boa pressão na água fornecida e reservação adequada, hoje, parece, de cerca de dois milhões de litros (quando a Águas de Camboriú assumiu era de apenas 500 mil litros). É insuficiente para o volume consumido. Balneário tem uma reservação de mais de 15 milhões de litros, igualmente insuficiente em certos momentos, como nas temporadas, se houver algum fenômeno como o atual (estiagem longa).

Talvez também deveriam questionar a obra do Parque Linear, projetada e iniciada na gestão de Edinho Olegário, continuada nos dois mandatos de Luzia Coppi Mathias e agora, nos mais de dois anos do prefeito atual e não está terminada. Até pelo contrário, cheia de problemas, até estruturais.

Talvez também deveriam questionar a negativa de fazer-se uma bacia de acumulação onde ficam as arrozeiras. Um decreto de desapropriação chegou a ser assinado, mas foi revogado, mediante pressão da Câmara, alegando-se "usurpação" e que Balneário estaria "interferindo nos interesses de Camboriú, querendo mandar lá". A bacia de acumulação resolveria tudo e o que acontece agora, não aconteceria, exceto por algum fenômeno muito maior e mais grave. 

O momento é preocupante e a advertência está feita. Melhor será para todos se as reações forem mais práticas e sensatas. E as reclamações e exigências de providências sigam o caminho adequado.