Continuam brincando com coisa séria, em relação ao Ruth Cardoso

As teses sobre o Hospital Ruth Cardoso, em contraposição à decisão (correta, a nosso ver) do prefeito Fabrício Oliveira de tornar o atendimento principal exclusivo de moradores de Balneário Camboriú, são as mais estapafúrdias – e tardias.

Primeiro continuam a pregar aportes financeiros de municípios e estado. Repete-se aqui o já dito aqui mesmo: se em 11 anos esses aportes não chegaram, apesar das pressões e necessidades, inexiste razão para acreditar que sejam possíveis e venham. É apenas realidade prática demonstrada por fatos irrecusáveis.

Porém, se viessem seria ainda pior: em dado momento poderiam cessar, a bel talante de um e de outro, como já se fez e faz com outros hospitais, os filantrópicos em especial e, particularmente, para citar um exemplo próximo, o que o estado fez com a Fundação Hospital de Camboriú em relação às cirurgias eletivas – prometendo dinheiro e não mandando no tempo certo.

E em cessando, voltaríamos à estaca zero, com os problemas aflorando. Mas pode ser pior: havendo a ilusão de aporte, a responsabilidade gestora continuaria recaindo sobre Balneário Camboriú. A cidade e sua administração seriam cobradas com mais veemência e muitos danos, sem poder reagir, já que aceitou o jogo ilusório (e é ilusório).

Agora se diz que os municípios irão à Justiça exigindo abertura do Ruth para seus pacientes. Isto é demonstração de cara de pau no mais alto estilo. Ignoraram os apelos durante 11 anos, não moveram uma palha, vendo os problemas se acumularem nos atendimentos do hospital, mais da metade com pacientes seus. Chegou-se a criar um Conselho Gestor formado por secretários de saúde da região para garantir o custeio do hospital. Deu em nada. Nem saiu do chão. Ficou na intenção.

O ex-prefeito Piriquito chegou a retirar o município da Amfri por causa da omissão em relação ao Ruth Cardoso – alegando que a entidade não estava agindo corretamente. E não estava.

O atual prefeito, Fabrício Oliveira, hoje presidente da Amfri, recorreu mais de uma vez aos municípios para o custeio do Ruth e nem resposta obteve. Lavaram as mãos.

É absurdo agora recorrerem à Justiça para ter o que não quiseram ter. O que querem é se livrar das suas responsabilidades constitucionais: dar atendimento a seus próprios cidadãos em seus próprios territórios e com seus próprios recursos.

Quanto ao Estado, nem adianta. Ele não cuida nem dos seus hospitais. Vide a situação de penúria e degradação do principal hospital público de Santa Catarina, o Celso Ramos ou Hospital dos Servidores. Na cara do governo. A dois quilômetros, se tanto, do Palácio do Governo e da Casa D’Agronômica.

Está na hora de pararem de brincar de administrar e jogar a culpa pra frente.

Fazem sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes.