Em Portugal, saúde pública é excelente, mas não é grátis

Uma discussão de sempre: saúde pública deve ser plena e gratuita - tudo por conta do Estado, sem restrições quaisquer? No Brasil, ao menos, pretendem assim e as grandes brigas são neste sentido. Pois lhes digo: seja visitante ou cidadão pátrio, em Portugal, sistema socialista e democrático, não é assim. Duas coisas básicas: 1) Inexistem filas de espera ou agendamentos de tempo quilométrico para qualquer tipo de exame ou consulta. Espera há, mas nem perto das esperar brasileiras. 2) Exames, consultas, internações são custeadas pelo estado, quando o cidadão procura e usa o sistema de saúde público, porém há uma "taxa moderadora", valor que todos pagam em qualquer procedimento, em valores perfeitamente aceitáveis. Tipo assim: ultrassonografia, 3 euros; raio-x, 1 euro. Outros exames mais sofisticados são cobrados com valores um pouquinho diferentes, talvez, mas a preços por aí. Nada assustador. A filha internou, como gestante, fez utrassonografia, raio-x e eletrocardiograma. Com internação e médico, 22 euros. Há o atendimento de qualquer procedimento, em Portugal. No tempo certo. O neto esteve internado, com suspeita de infecção intestinal, mas era fígado (come demais e mal, enfia de tudo possível no estômago). O diagnóstico foi impreciso nos primeiros exames, mas ele começou a melhorar. A filha quis levá-lo pra casa. Médicos disseram não. Enquanto não concluírem o diagnóstico inteiro e o tratamento completo, não. E lá, nestes e noutros casos, não é não. 

Lá, chegou, está em risco, é atendido imediatamente. Sem delongas quaisquer. 

Ah, sim. A tal "taxa moderadora", cobrada de todos sem chiadeira em lugar nenhum, nem na hora e nem na imprensa ou nas mídias sociais, é devida por portugueses e estrangeiros e idosos (acima de 60 anos), grávidas e menores de 18 anos, não pagam, em nenhum caso.

A filha pariu a netinha linda num hospital de primeira linha - modesto (no Brasil seria modelo), mas de primeira linha. Ficou lá o tempo necessário - não deixam sair antes de tudo examinado e equacionado. Com dois dias de idade, encaminharam para uma equipe especial, dentro do hospital, responsável pela identificação dos nascidos ali. A equipe (equipa, no dizer português) encaminha tudo e, noutro dia, entregam carteira de identidade digitalizada, com foto e tudo do bebê, válida por cinco anos, com chip.

Os médicos, antes do paciente sair do hospital, receitam os remédios para o tratamento. Aqui, o detalhe final desta modesta crônica: na receita, está inscrito o valor máximo que qualquer farmácia do país pode cobrar pelo medicamento receitado, a não ser que o paciente escolha medicamento similar, com o mesmo princípio ativo, mas outra marca ou laboratório.