As previsões imprecisas do Centro de Eventos de Balneário Camboriú

Confesso-me um pouco assustado com a precarização de objetivos do governo do Estado em relação ao início do funcionamento do Centro de Eventos. Assustado por razões naturais: um investimento deste, colocado nesta situação de incerteza, é sempre um fator de desgaste e uma visão nada agradável a quem imagina uma política de movimentação econômica da cidade e da região. Ao menos este foi o fim imaginado para o empreendimento. Teoricamente falando.

Assustado também fiquei quando, após toda a parte física estar praticamente montada, o ex-deputado e então secretário de Turismo do Estado, Leonel Pavan, ter confessado que o projeto não tinha, ainda, estudo de viabilidade – o que deveria ter sido dos primeiros passos. Colocaram o carro na frente dos bois.

De qualquer sorte, desde a deflagração da ideia, mesmo leigo na temática econômica, turística e empreendedora pública, filosofei ante fatos e profetizei: não vai funcionar. Adivinhação? Bola de cristal? Jogo de tarô? Búzios? Nada. Precedentes e história. Além de lógica.

Na visão lógica, o indubitável: poder público é péssimo gerente de negócios assim. Terá que licitar para quem sabe e conhece. Algo grande. Até hoje ninguém se interessou, verdadeira e diretamente. Tanto que o estado parou tudo e resolveu jogar a cartada de buscar “parceria”, seja lá o que isso possa significar e envolver.

Era de se esperar. Sem uma perspectiva – ou um estudo de viabilidade bem feito -, quem arriscará? Quem é do ramo nem precisa olhar projetos – a olho nu já antevê quais as possibilidades.

Parece, contudo, que o estado, apesar das nuanças pouco sólidas, decantou uma possibilidade: locar o ambiente ou os ambientes para grandes feiras comerciais. E aí chocou de frente com o trade turístico e empresarial da cidade. Até com certa razão, a econômica. Essas feiras viriam para cá, episodicamente, vendendo montante cujos resultados não ficarão na cidade, embora crie uma movimentação interessante para hotelaria e restaurantes. Tudo correto. Mas bom pensar: se não for assim, que tipo de evento pode render a quem for o responsável pelo Centro de Eventos, cujo custo de manutenção e administração mensal, dizem, ficará em torno de R$ 350.000,00? Limitar, restringir ou exigir regras sobre o que e como fazer é o maior espanta-gestores do Centro de Eventos. Quem eventualmente assumir, ainda que seja o estado (Deus nos livre), não vai se condicionar a limites de renda ou a tipos de promoções possa trazer. A falência é certa – podendo o majestoso Centro virar uma tapera de luxo à beira da 101 plantada. Um elefante branco, como tanto já se falou.

DADOS SOBRE O CENTRO DE EVENTOS AQUI