Os elementos que podem danificar para sempre a Praia Central

Preocupante a constância e volumes de briozoários, ou algas, na Praia Central de Balneário Camboriú. Fato que continua sem uma explicação plausível e definitiva. É preciso saber o porquê e como defender o ambiente desse dano

A explicação para a ocorrência desses eventos ainda é inconclusiva, devido à falta de recursos financeiros para as pesquisas, mas há evidências consideráveis de que há um efeito sinérgico entre a alta concentração de nutrientes, bactérias e detritos orgânicos na água, relacionada com a poluição local e a eliminação de competidores naturais pelos impactos das obras.

Bom lembrar que um estudo para entender o fenômeno é uma das condicionantes para o definitivo licenciamento ambiental que o IMA emitiu para o engordamento da faixa de areia ou Alimentação Artificial da Praia Central. É um garantidor do monitoramento da praia após a intervenção.

Para entendidos, como Fernando Dihel, é necessário um amplo entendimento dos eventos que vêm ocorrendo na enseada.

Sabe-se – e isto foi repetido e não questionado dezenas de vezes – que a presença anormal desses elementos na Praia Central se deve, basicamente, a duas ações municipais, no início da década de 2000, realizadas sem qualquer cuidado ambiental: a dragagem do leito do Rio Camboriú e o lançamento dos sedimentos de lá retirados na Barra Sul, à guisa de aterro (2003), para a construção do molhe.

Essas ações podem ter contribuído para a frequência cada vez maior de organismos como briozoários, diatomáceas e algas filamentosas verdes na orla, mesmo depois de tantos anos daquele evento.

Segundo diz o oceanógrafo Fernando Dihel, “desde a época citadas, a presença desses elementos na orla se torna cada vez mais dinâmica, complexa e frequente”.

Para Dihel, é preciso buscar, primeiro e antes de tudo, uma explicação para o fenômeno – o que até agora não se fez – sob o risco de, em não fazendo, comprometer definitivamente a saúde da praia, com tendência a piorar muito com a obra de engordamento, pois, ainda segundo o técnico, o aterro matará de vez os elementos de defesa contra essas espécies invasoras daninhas, deixando a praia exposta a uma perda permanente.

Numa série de artigos publicados na Folha do Litoral, Fernando Dihel discorreu sobre o fenômeno, fazendo alertas e sugerindo soluções – a principal delas a necessidade de se compreender e buscar as causas e forjar soluções. Disse ele, numa das suas publicações que é preciso implantar com grande urgência um grande programa de monitoramento para encontrar um eficiente diagnóstico ambiental da enseada. Saber os parâmetros físico-químicos que caracterizam as suas águas, a sua qualidade ambiental, assim como dos sedimentos – saber qual a dinâmica deste ambiente, para onde a água circula, qual é a vida marinha da enseada, sua composição e estrutura. Daí se conseguirá compreender quais são e de onde vêm as espécies que arribam à beira-mar nos últimos anos e com tanta frequência. Como elas crescem? Por que se proliferam aqui?

Para Dihel, antes de qualquer investimento mais ousado na orla, é preciso encontrar solução para o fenômeno dos briozoários, ou a situação pode piorar muito e chegar a um ponto sem volta, tornando as perdas irreversíveis.   

FOTOS: FERNANDO DIHEL - MANHÃ DE SÁBADO, 8 DE FEVEREIRO, PONTAL NORTE