Bolsonaro erra todos os dias e repete os mesmos erros

O principal erro do presidente da República é todos os dias ele descer da sua autoridade para bater boca com jornalistas e pessoas de todos os níveis. Diria, em cima disso, que o presidente calado é um poeta.

Há o mais recente caso - e atual - da sua troca de insultos e acusações com a jornalista Vera Magalhães. Aparentemente e em meio ao conjunto de profissionais, a importância e o prestígio dela é raso. Igual a tantos e tantas. O que está lhe sustentando, neste momento, é o fato de o presidente estar lhe dando um valor que diz ela não ter. Afinal, ela debate com quem? Com o presidente da Repúblilca. É mole ou quer mais? E um debate na base dos insultos, o que é pior. Desnível de qualidade dos piores.

Enquanto quiser sustentar sua ojeriza e contrariedade com grandes órgãos de imprensa, televisão e jornal principalmente, que fique por lá - já o suficiente da inconveniência, pois a nada leva, nem pro bem e nem pro mal. Só desgasta a figura presidencial. 

Muitos acham isso ótimo, pois, segundo esses o presidente demonstra coragem, não levar desaforo pra casa, não deixar pra manhã - "é o jeito dele", dizem. Ou "foi por isso e pra isso que o elegemos". Eu não. Independente dos resultados administrativo e econômicos que ele possa estar alcançando, esse comportamento é ruim e inadequado e ponto final. 

Talvez se o presidente se deixasse assessorar por gente competente em comunicação - desde que, também, deixasse seus filhos de escanteio, pois em matéria de besteiras e polêmicas indevidas também são mestres - o cenário melhorasse. Nem precisaria mudar o que fala; bastaria não falar, exceto se, como às vezes acontece, fosse acusado instado a esclarecer algo grave. Assim mesmo sem individualizar suas posturas. Neste particular, até as suas "bananas" à imprensa são mais legítimas do que essa brigaceira dele com uma jornalista.

Um dos presidente mais emblemáticos em termos de polêmica e crises políticas talvez ensinasse, se Bolsonaro se desse ao trabalho de estudar sua biografia e sua trajetória presidencial, foi Juscelino Kubitschek, o JK. Ele fez, em relação aos ataques sofridos pela imprensa - e sofreu muitos o tempo inteiro, até com "fogo amigo" - ou em relação a eventos como as revoltas de militares em duas ocasiões, Jacareacanga e Aragarças - 1956 e 1959 - quando ele, sem pestanejar, ao invés de punir após desarmadas as rebeliões que o queriam derrubar, apenas anistiou os revoltosos e encerrou o caso, desarmando a bomba. (O FATO HISTÓRICO, EM RESUMO AQUI) e (AQUI)

Sobre a imprensa, JK não passou recibo. Quando promovia entrevistas ou eventos oficiais, mandava convidar a todos, sem exceção e não impunha nada e nem polemizava nada. Terminou o seu governo e, depois, perseguido pelos militares, acabou cassado e extirpado da vida pública, mas o seu exemplo ficou. 

Que falta faz uma leitura historica...

(CRÔNICA PUBLICADA TAMBÉM NO PORTAL ENGEPLUS, DE CRICIÚMA - VEJA AQUI)