Bolsonaro, os ataques à honra e suas respostas impiedosas

O presidente vive criando fatos todos os dias. Dizendo, fazendo, não fazendo, falando ou calando, exagerando até ou poucas vezes comedido. Acham em tudo razão para atacá-lo, não importa como ocorra ou em que nível aconteça. Ele é sempre alvo e sempre alvo com espírito negativista. Às vezes com ares de tragédia, de desastre institucional, político ou ideológico. Nesses casos, o negro que ele nomeia ou prestigia não é um negro bom; a mulher que ele nomeia ou prestigia não é uma mulher com boa formação; o homossexual que o apoia é um degenerado fascista. E embora ele não seja, na prática, um preconceituoso como o acusam, passa a ser porque assim definiram que é. E pronto. Ao menos em nível de narrativa esquerdista ou da imprensa com sede de sangue e verbas.

Na última cena, o presidente ultrapassou barreiras do enfrentamento e, da bronca raivosa, passou à meme crítica, usando um ator para representá-lo na coletiva matinal. E veio a guerra e choveram as críticas. "Desrespeito", "ataque à seriedade da liturgia presidencial", "apequenamento do cargo" e por aí foi. 

É necessário avaliar a partir de um precedente. Ou dois, quem sabe.

No Carnaval, avacalharam com a figura presidencial nas alegorias das escolas. Ah, isso é democracia. É liberdade de expressão. É arte. Um desrespeito permitido? Pode prum lado e pro outro? A imprensa e os carnavalescos não respeitam a figura presidencial e querem respeito? 

O outro precedente, a mim me parece muito pior e grave, foi a insinuação de traição conjugal sugerida por jornalista da revista Época contra a Primeira Dama Michele Bolsonaro. Uma coisa leviana e vil, repercutida por tanto e silenciada por todos em termos de condenação. Um vilipêndio. Já abordei o assunto e pouco a acrescentar há.

Mas é preciso medir as coisas e colocar entre elas uma relação de causa e efeito: a meme do humorista fantasiado de presidente jogando bananas à imprensa foi até uma resposta leve e bem apropriada a tudo isso. Com ares de uma certa classe política, por que não?

Pra encerrar e resumindo um pensamento sobre tudo isso: a grande imprensa, ao longo dos tempos, em todos os governos, menos no tempo dos militares, acostumou a mandar e desmandar, com governos assustados e submissos ao seu poder. Encontraram uma barreira intimorata pela frente. Claro que não gostaram. Quem gostaria. Isto justifica o berreiro.

No tempo dos militares, ao invés de críticas ou ataques, controlados pelo regime a ferro e fogo, a única coisa que aconteceu de pior foi o surgimento do próprio Sistema Globo, em 1965, favorecido descaradamente pelos milicos. A ponto de, até sua morte, em 2003, Roberto Marinho manter canino e fiel apoio ao regime militar, apesar do seu fim em 1985 (justiça lhe seja feita, neste aspecto: foi honesto e leal a quem o favoreceu até o extertor de suas forças). Sem contar o fulcro ofertado pelo grupo americano Time-Life, como centenas de vezes acusou Leonel Brizola e não foi ouvido.

(Texto publicado também no Portal Engeplus, de Criciúma)