Eleição não pode ser baseada na ilusão do bolsonarismo

Escrevi nota rápida nas minhas páginas pessoais da Internet:

É só um lampejo de experiência vivida: o fenômeno Bolsonaro foi único. Não se repetirá em 2022 nem pra ele, pois a realidade é outra, a partir mesmo do fato de ele ser poder e se submeter a julgamento de atos de governo. Em 2020, menos ainda. Eleição municipal é nada ideológica.

Serão vítimas da eventual ilusão os que imaginam que o fenômeno persiste. Bom saber que isso não se normatiza no inconsciente popular. O presidente Bolsonaro, ele mesmo, se tentar na campanha de reeleição ficar adstrito à sua garagem usando um celular e improvisando um estúdio tacanho, tomando café em copo de iogurte e comendo pão com leite condensado, verá que as reações mudam muito. A razão é simples: ele já não é uma novidade, mas poder. Terá de reeleger-se, repetir o mandato e inovar com muito conteúdo, mostrando suas coonquistas e se defendendo do bombardeio que sofrerá, com o flanco exposto a adversários e muito "fogo amigo". Terá que ter uma equipe especializada, capacidade de mobilização, competência de articulação. E, se quisermos mais, recursos. A sua reeleição é muito provável, nem tanto por suas condições, mais por desorganização das oposições, batendo cabeça atrás de uma linha de ação e de um nome aglutinador, misturando centrões com comunistas, ladrões com gente séria, fanfarrões com fracassados.

Fenômenos eleitorais, no Brasil, ocorreram e até se repetiram ao menos uma vez: Jânio, Collor, Lula e Dilma. Se olharmos os históricos de todas as eleições, veremos, nos números e nos mapas, uma decadência inexorável. A questão parece ser a fugacidade de fenômenos alicerçados em idolatrias. Caso até de Bolsonaro, reconheço. E se ele não mudar e ampliar sua imagem, mudando até comportamento pessoal, terá sua reeleição, porém ficará por aí e não será influência nas próximas eleições. Porque se pensarmos muito além do horizonte, há a figura do Moro, se seu prestígio durar incólume até 2026 - e mesmo assim um eventual êxito dele numa eleição nem dependerá de Bolsonaro. Aliás, se isto ocorresse hoje mesmo, sua candidatura independeria de apoio de Bolsonaro ou não. O lume é próprio. O momento, perante o povo, é dele. O problema é que, hoje, sua projeção como candidato seria traição - e é. Este tipo de viés está fora da personalidade de Moro.

Em 2020, veremos candidatos a prefeito e vereador invocando vínculos com Bolsonaro, tentando galzanizar a opinião pública a seu favor. Mas se não tiver o que dizer ao seu povo como propostas de trabalho, isto não valerá nada, pelas razões já expostas e evidentes na minha rápida postagem.

Em todo caso, eleição, como política, não é ciência exata. Diria, como no futebol, uma "caixinha de surpresas", sem renunciar aos cálculos matemáticos de perdas e danos em relação a quadros de eleições passadas. É bom lidar com realidades em meio a isto tudo.

(Opinião veiculada também no Portal Engeplus, de Criciúma)